Notícias do Movimento Espírita

São Paulo, SP, quinta-feira, 17 de março de 2016

Compiladas por Ismael Gobbo

EDITADO E POSTADO EM CUSCO, PERU

Agradecemos àqueles que gentilmente repassam este email

Parcerias

 

ismaellogo copylogo_banner_rede_amigo_espirita

 

http://ismaelgobbo.blogspot.com.br/          http://www.redeamigoespirita.com.br/

 

 

Acessar aqui: http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/MARCO/17-03-2016.htm

 

 

Editoração: Ismael Gobbo, São Paulo, SP.

Envio: Ismael Gobbo (SP) e Wilson Carvalho Júnior, Araçatuba (SP)

 

 

Notas

1. Recomendamos confirmar junto aos organizadores os eventos aqui divulgados. Podem ocorrer cancelamentos ou mudanças que nem sempre chegam ao nosso conhecimento.

2. Este e-mail é uma forma alternativa de divulgação de noticias, eventos, entrevistas e artigos espíritas. Recebemos as informações de fontes  diversas e fazemos o repasse aos destinatários de nossa lista de contatos. Trabalhamos com a expectativa de que as informações que nos chegam sejam absolutamente espíritas na forma como preconiza o codificador do Espiritismo, Allan Kardec.  Pedimos aos nossos diletos colaboradores que façam uma análise criteriosa e só nos remetam para divulgação matérias genuinamente espíritas.  O trabalho é totalmente gratuito e conta com ajuda de colaboradores voluntários (Ismael Gobbo).

 

 

Atenção

Se você tiver dificuldades em abrir o arquivo, recebê-lo incompleto ou cortado e fotos que não abrem, clique aqui:

   http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/MARCO/17-03-2016.htm

 

No Blog onde é  postado diariamente:

   http://ismaelgobbo.blogspot.com.br/

 

Ou no Facebook:

   https://www.facebook.com/ismael.gobbo.1

 

 

 

Os últimos 5 emails enviados:

 

DATA                                        ACESSE CLICANDO NO LINK

 

14-03-2016     http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/MARCO/14-03-2016.htm

12-03-2016     http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/MARCO/12-03-2016.htm

11-03-2016     http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/MARCO/11-03-2016.htm

10-03-2016     http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/MARCO/10-03-2016.htm

09-03-2016     http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/MARCO/09-03-2016.htm

 

 

 

 

 

Mensagem do dia

 

 

 

 

 

A palavra

 

“(...) A arte de falar é conquista que todos devem lograr.

Não a esgrimas com teu verbo, nem a sepultes no mutismo da alienação.

Fala sobre o bem, o amor e a esperança, propondo a alegria entre as criaturas e en­sinando-as a adquirir segurança pessoal no processo da evolução.”

 

(Joanna de Ângelis/Divaldo Franco – livro,  Episódios Diários,     10ª ed. p. 55  – editora LEAL)

 

Desenho: Fátima Oliveira

Mansão do Caminho - Salvador, Bahia, Brasil.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 


La palabra

 

...El arte de hablar es una conquista que todos deben lograr.

No la esgrimas con tu verbo ni la sepultes en el mutismo de la alienación.

Habla acerca del bien, del amor y de la esperanza, para proponer la alegría entre las criaturas y enseñarles a conseguir seguridad personal en el proceso de la evolución.

 

 

Joanna de Ângelis/Divaldo Franco 

Libro Episodios diarios – Editora LEAL

 

Creación: Fátima Oliveira

Mansión del Camino - Salvador, Bahía, Brasil. 

 

 

 

 

 

 

(Recebido em email de tradutora MARTA GAZZANIGA [[email protected]], Buenos Aires, Argentina)

 

 

 

Publicação em sequência

O Livro dos Médiuns

 

 

 

 

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(Copiado de Febnet)

Santo Antonio com o lírio. Escola de Girolamo Forabosco. Padova. Segunda metade do século XVII.

 Catedral de Padova.  Itália. Foto Ismael Gobbo

Catedral de Padova. Padova, Itália. Foto Ismael Gobbo

 

 

NOTA

 

ESTANDO EM VIAGEM  COM DESLOCAMENTOS, SÓ TEREI CONDIÇÕES DE RETOMAR O ENVIO DO EMAIL DIA 18-03-2016. COM NOSSOS PEDIDOS DE DESCULPAS. ISMAEL GOBBO.

 

 

 

Parabéns Cidinha!

 

Peço licença aos queridos amigos leitores para enviar uma mensagem  à minha esposa Aparecida de Fátima Michelin  “Cidinha”, que aniversaria neste dia. Estou longe, em Cusco, no Perú, fazendo alguns trabalhos de pesquisa visando utilizá-lo no trabalho da divulgação Espírita. Posso afiançar que o incentivo  de Cidinha tem sido fundamental em tudo na minha vida. Eu, Lucas, Laura e todos os familiares e amigos reconhecem a importância de Cidinha. Feliz aniversário, esposa querida e mãe exemplar. (Ismael Gobbo, Cusco, Peru, 15 de março de 2016.)

 

Cidinha, Laura e Lucas. Carambeí, PR. Foto Ismael Gobbo

Flores. Praça de Armas, Cusco, Perú. Foto Ismael Gobbo

 

 

Palestra no Grupo Espírita Allan Kardec de

Luxemburgo

 

 

(Informação recebida em email de nascimento zelina [[email protected]])

 

 

Palestra programada com Divaldo Pereira Franco

Nova Iorque, EUA

 

 

 

(Informação recebida em email de Jussara Korngold [[email protected]])

 

 

Seminário com Divaldo Pereira Franco. Maio/2016

Bad Honnef, Alemanha

 

 

 

 

(Informação em emails de Freundeskreis Allan Kardec - Düsseldorf [email protected] e de  nascimento zelina [[email protected]])

 

Palestra programada para o Centro de Cultura Espírita em

Caldas da Rainha, Portugal

 

 

Na sexta-feira, dia 18 de março de 2016, às 21H00, irá decorrer uma conferência espírita subordinada ao tema O HOMEM DE BEM.

No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo encontra-se um texto lindíssimo e de enorme profundidade com este título, nesta palestra iremos abordar o referido texto, analisando-o e verificando a sua atualidade no presente em que vivemos.

Esta palestra terá lugar na sede do Centro de Cultura Espírita, no Bairro das Morenas, em Caldas da Rainha, na Rua Francisco Ramos, nº 34, r/c.

As entradas são livres e gratuitas.

Este centro tem página na Internet em https://cceespirita.wordpress.com e e-mail [email protected]

Fonte: CCE (C. Rainha)


Francisco Reis

laudas-avulso.com

 

 

(Informação recebida em email de Francisco Reis [[email protected]])

 

 

César Perri em programa na Rádio Fraternidade

5 minutos de Evangelho

 

 

Programa 5 minutos de Evangelho

Com Antônio Cesar Perri de Carvalho

Estreia em 14/03/16

na Web Rádio Fraternidade

www.RadioFraternidade.com.br

 

Um tema por semana, nos horários:

Segunda-Feira: 17h50

Terça-feira: 07h50

Quarta-feira:19h40

Quinta-feira:16h40

Sexta-feira: 02h50

Sábado: 01h50

Domingo: 17h50

Forte abraço.

Rubens de Castro

Equipe Web Rádio Fraternidade “a emissora do bem na internet”

www.RadioFraternidade.com.br (Uberlândia/MG)

www.facebook.com/WebRadioFraternidade

www.facebook.com/groups/WebRadioFraternidade

www.twitter.com/RadFraternidade ou @RadFraternidade

www.youtube.com/user/WRFraternidade

Skype radio.fraternidade

 

(Informações recebidas em email de Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier [[email protected]])

 

 

Associação Médico Espírita de Franca Divulgação

Franca, SP

 



 

--

USEFRANCA

União das Sociedades Espíritas Intermunicipal de Franca

R. Major Claudiano, 2185

Centro, Franca, SP

1637243178

Curtir: www.facebook.com/usefranca

 

 

(Informações recebidas em email de [email protected]; em nome de; USE Intermunicipal de Franca [[email protected]])

 

 

5º. Encontro Espírita AFA- GEIG

Araras, SP

 

 

 

(Informações reccebidas em email de Renato Pereira Batista [[email protected]])

 

 

Palestra no C.E. Francisco Cândido Xavier

São José do Rio Preto, SP

 

Meus amigos,

Convidamos para a palestra de

 

RICARDO PINFILDI

 

de Catanduva, no Centro Espírita Francisco Cândido Xavier, situado à Av. Alfredo Theodoro de Oliveira, 2195 - Solo Sagrado, São José do Rio Preto - SP, nesta quarta-feira, 16 de março, 20:00 h, e também para o cafezinho fraterno.

Abraços.

 

Navarro
São José do Rio Preto - SP
(17) 3228-0111 e 99702-7066

Conheça:

www.esperanto.org.br

www.agendaespiritabrasil.com.br

www.chicoxavierriopreto.com.br

 

(Informação recebida em email de Antonio Carlos Navarro)

 

 

 Programação comemorativa de 12 anos da Casa de Emanuel

Itatiba, SP

 

 

 

(Informação recebida em email de João Batista [[email protected]])

 

 

 

 

Site da Confederação Espírita da Colômbia

Bogotá

 

Acesse aqui:

http://www.confecol.org/

 

 

 

 

 

 

 

Encontros da Série Psicológica na Mansão do Caminho-Dia 09 de Abril de 2.016 (Sábado). Salvador, BA

 

 

Encontros da Série Psicológica Joanna de Ângelis

09 de abril de 2016 - Das 16h às 18h30

Local:Salão Doutrinário(CECR)-Mansão do Caminho
Apresentação: Divaldo Franco, Iris Sinoti e Cláudio Sinoti.
Maiores informações: http://goo.gl/CsKcXi
#CECR #DivaldoFranco #JoannaDeAngeli

 

 

 

(Informação recebida em email de Edward Cobem 3 [[email protected]])

 

 

 

 

FEB. Boletim eletrônico da 2ª. quinzena de março/2016

Brasília, DF

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Descadastre-se caso não queira receber mais e-mails.

 

 

(Recebido em email de [email protected]; em nome de; [email protected])

 

 

Jornal “O Caminho da Luz”

Botucatu, SP

 

Solicitar por email para

[email protected]

 

 

 

 

 

Agenda Espírita do CEAP

Rio de Janeiro, RJ

 

Solicitar por email para André Luiz Gadelha

[email protected]

 

 

 

Programação semanal do C.E. Allan Kardec

Penápolis, SP

 

Semana de 14 a 19-03-2016

 

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Obs.:Se não deseja receber este Boletim Semanal, envia-nos a palavra "CANCELAR" para email [email protected] , com nosso agradecimento.


--

 

Centro Espírita Allan Kardec

Avenida Luís Osório, 1262

Penápolis - SP

allankardecpenapol[email protected]

https://www.facebook.com/allankardecpenapolis

 2015, 150 anos do livro O Céu e o Inferno

 

 

(Informação recebida em email de Centro Espírita Allan Kardec [[email protected]])

 

 

Oficinas da SELUZ – Sociedade Espírita “A Caminho da Luz”

Barbacena, MG

 

OFICINAS DA SELUZ - SOCIEDADE ESPÍRITA A CAMINHO DA LUZ - BARBACENA / MG


Na última sexta-feira, dia 11/03, teve início mais um projeto na SELUZ. Trata-se de um grupo de trabalhadores e voluntários que tenham interesse em compartilhar algum conhecimento para que seja repassado aos assistidos e/ou pessoas interessadas em aprender, por exemplo, a arte da manicure / pedicure, salão de beleza, bordados, artesanato, marcenaria, eletricidade, jardinagem ou qualquer outra atividade com o objetivo de cumprir o que preceitua a FEB (Federação Espírita Brasileira) no que tange ao Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita, constante do livro "Orientação ao Centro Espírita - FEB - 2007, cap. VIII, pág 75.

É preciso não apenas dar o peixe mas sim ensinar a pescar e buscar uma forma de incluir este irmão / irmã numa sociedade que seja mais justa e mais fraterna, ou seja, " Proporcionar ao frequentador do Centro Espírita oportunidade de praticar a caridade pela vivência do Evangelho, junto às pessoas e famílias em situação de carência sócio-econômico-moral-espírita " -  (ver item 3. b) do livro acima citado).

Os contatos devem ser feitos diretamente com a Rosa Virgínia Gomes Ribeiro ou Maria Virgínia Gomes Ribeiro pelo facebook, telefone ou pessoalmente. Se você tem interesse em compartilhar os seus conhecimentos este é o momento de se engajar nesta grande oportunidade.

Adriano Barroso
Barbacena - MG

 

 

(Informação recebida em email de Adriano R. Barroso [[email protected]])

 

 

Estreia nos cinemas do filme espirita Nos Passos do Mestre

24 de março

 

 

Ola queridos amigos de ideal

 

Compartilhamos com vocês uma notícia muito especial: A Estreia nos Cinemas em março do filme Nos Passos do Mestre dia 24 de março.

 

Contamos com a ajuda na divulgação deste projeto de luz nas mídias espíritas.

 

Segue release e arte do filme. Vamos formar um grande de time de divulgação da Boa Nova do Cristo. 

 

qualquer dúvida estamos a disposição

 

link trailer do filme: https://www.youtube.com/watch?v=RPFRiUqh1N4

 

Nos Cinemas - Nos Passos do Mestre apresenta um Jesus nunca antes visto

Dia 24 de março estreia nos cinemas o filme Nos Passos do Mestre. Com realização da Fundação Espírita André Luiz e Mundo Maior Filmes, o longa-metragem apresenta pela primeira vez uma análise da jornada de Jesus na Terra sob o ponto de vista do Espiritismo.

 

Para desmistificar muitas das mensagens contidas nos textos sagrados e que até hoje ainda são mal compreendidas, a equipe de produção foi até o Egito, Jerusalém, Turquia e Itália para mostrar os lugares mais significativos da história Cristã. “Aquela imagem de Jesus sofrendo na cruz, do Cristo dogmático, milagroso, vai abrir espaço para a imagem do Mestre Jesus e sua mensagem vai mudar a vida de muita gente”, afirma o diretor André Marouço.

 

A curadoria do projeto é assinada pelo Prof. Severino Celestino, pesquisador da Bíblia e professor de Ciências da Religião pela Universidade Federal da Paraíba. O filme conta ainda com a participação especial de Adão Nonato, psicólogo e estudioso do Velho e do Novo Testamento. O longa é dirigido por André Marouço, diretor dos filmes Causa e Efeito (Paris Filmes 2014) que ganhou como o segundo melhor filme do ano de 2014, pela votação do Guia Folha/UOL; e O Filme dos Espíritos (Paris Filmes) que ganhou como Melhor Roteiro, no Festival Sesc Melhores Filmes 2012.

 

Nos Passos do Mestre contou com apoio financeiro de apoiadores através da plataforma Catarse (financiamento colaborativo) foram mais de 900 apoiadores, tendo sido captado por esta modalidade R$120 mil, cifra campeã para este tipo de financiamento, o que valeu capa da Veja São Paulo em setembro de 2013:http://vejasp.abril.com.br/materia/projetos-bem-sucedidos-crowdfunding

 

Os Principais Temas Abordados no Filme

 

O objetivo do filme é a reconstrução de Jesus como personagem histórico através de uma análise profunda e racional, Nos Passos do Mestre, aborda passagens que envolvem a vida do Cristo sem o apego a dogmas e contesta racionalmente: A virgindade de Maria; o batismo de Jesus; Suas curas e milagres; a traição de Judas, a ressurreição de Lázaro e do próprio Jesus, entre outros temas importantes analisados sob os aspectos educacionais e morais da obra do Cristo.

 

O filme deixa claro que Jesus em momento algum quis criar qualquer religião, mas sim disseminar o amor e a paz. A reencarnação e a mediunidade também são tratadas, mostrando que tanto o Velho Testamento quanto o Novo atestam as duas realidades.

 

Muitos daqueles que assistirem poderão compreender com a narrativa do longa, a sabedoria do maior filósofo, cientista, pacifista, médico e pedagogo de todos os tempos, Jesus Cristo.

 

Informações imprensa

[email protected] /11-2086-4360(Erika)

 

Ficha Técnica

Roteiro e direção: André Marouço

Curadoria: Severino Celestino

Participação Especial: Adão Nonato

Produção: Pollyana Pinheiro

Produção executiva: Duilio Moraes

Direção de arte: Ana Diniz

Direção de fotografia: Arthur Oliveira

Estrelando: Fábio Malosso

Duração: 100 min

 

Abraços

Erika Silveira

 

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Erika Silveira

Marketing FEAL

11- 20864360

assess[email protected]

 

 

 

 

 

 

Instituto Espírita Batuíra de Saúde Mental pede ajuda

Goiânia, GO

 

 

Saudações, muita paz, luz e saúde!

 

Peço novamente a sua ajuda para divulgar a nota abaixo. Tem ajudado

muito a sua solidariedade e várias pessoas tem contribuído.

 

Antecipo agradecimentos.

 

Fraternal abraço,

 

Sérgio Luís Haas

3281 0655

 

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SOS Batuíra: suco em pó, óleo vegetal, verduras, legumes, ovos, farinha

de trigo, fermento, lençol de solteiro com elástico, carnes, frango,

bolacha, alho, cebola, chás, frutas, cuecas, calcinhas, toalhas de

banho, desinfetante, água sanitária, copos 200 ml e desodorante spray

 

O Instituto Espírita Batuíra de Saúde Mental está solicitando a sua

colaboração, de entidades e de empresários para receber doações de suco

em pó, óleo vegetal, verduras, legumes, ovos, farinha de trigo,

fermento, lençol de solteiro com elástico, carnes, frango, bolacha,

alho, cebola, chás, frutas, cuecas, calcinhas, toalhas de banho,

desinfetante, água sanitária, copos 200 ml e desodorante spray para os

123 pacientes em tratamento que sofrem de transtorno mental ou

alcoolismo.

 

Qualquer quantidade é muito bem vinda. As doações podem ser entregues

diretamente no Batuíra: Avenida Eurico Viana, Quadra 44 - Setor Jardim

Goiás - Goiânia - GO

 

Fundado em 1949, o Batuíra é um hospital 100% SUS e atende gratuitamente

homens e mulheres que sofrem de transtorno mental ou alcoolismo.

 

Informações: fone (62) 3281 0655, site: www.batuira.org.br e twitter:

@batuirago

 

(Recebido em email de [email protected])

 

 

Como um bumerangue

 

 

Você já deve ter ouvido falar, com certeza, sobre o bumerangue, esse objeto de arremesso, cuja origem não se tem certeza, considerando que diversos tipos foram encontrados, em várias partes do planeta, em diferentes continentes.

Algumas notas apontam que o bumerangue mais antigo de que se tem notícia foi encontrado na Polônia, em 1987. Teria sido construído a partir de uma presa de mamute, há mais de vinte mil anos.

De um modo geral, associamos o bumerangue à Austrália, país que ficou famoso no mundo comoo país do bumerangue.

Os aborígenes australianos se serviam dele, tanto para atividades lúdicas quanto o utilizavam em atividades cotidianas.

Com ele cortavam carnes e vegetais, cavavam a terra em busca de raízes comestíveis ou golpeavam a superfície da água durante a pesca.

Também o usavam na caça de pássaros, aproveitando a revoada dos bandos, na expectativa de acertar algum deles.

Entretanto, o que chama a atenção nessa peça arqueada de madeira é que, após descrever uma curva, retorna às mãos do arremessador.

Isso nos leva a algumas reflexões em torno de ações em nossas vidas. Tudo o que pensamos, falamos se projeta no mundo e realiza uma trajetória.

Nossos pensamentos criam uma atmosfera salutar ou não, correspondente às suas qualidades boas ou más.

Nossas palavras alcançam pessoas, alteram rumos de vidas, beneficiam ou prejudicam instituições.

Quantas vezes uma frase, um abraço, um sorriso altera o pensamento, a decisão de outra pessoa?

Um programa radiofônico, um filme, um livro. Um pensamento lido no portal de alguma biblioteca ou museu. Tudo influencia e altera vidas.

Em uma admirável lei, que chamamos causa e efeito ou ação e reação, o que projetamos, retorna para nós. Algo semelhante à ação do bumerangue, porque retorna para nossa própria economia, beneficiando-nos ou nos fazendo mal.

Exatamente na mesma medida do que pensamos, falamos, agimos.

A seu tempo, o Mestre Jesus já lecionara: A cada um será dado segundo as suas obras.

Enquanto, por vezes, ofertamos benefícios a quem não se esforça, a quem nada faz por merecê-los, simplesmente por uma questão de simpatia, amizade, ou interesse, a Lei Divina não se equivoca.

E dá a cada um exatamente o que merece, o que construiu. Por isso, quando dizemos que estamos melhor do que merecemos, cometemos um erro.

Estamos afirmando que Deus se engana. Isso porque cada um de nós vive no clima que constrói para si.

Cada um de nós recebe, para sua vida, o que pensa, o que aos outros deseja.

Não poderia ser de outra forma. Como se poderia pensar em alguém que, preguiçoso, erguesse um casebre de tábuas mal dispostas, pudesse desejar habitar um palácio?

Como imaginar que quem semeia flores não possa, logo adiante, se beneficiar com as cores e o perfume de sua abençoada semeadura?

Bumerangue, lei de causa e efeito, lei do mérito. A cada um segundo as suas obras.

Não importa como concebamos a questão. O que precisamos ter em mente é como é importante pensarmos no bem, agirmos no bem, desejarmos o bem a todos.

Tudo isso para nosso próprio bem, nossa alegria, nosso conforto espiritual.

Pensemos nisso. 

Redação do Momento Espírita.
Em 14.3.2016.

 

 

(Copiado do site Feparana)

Arando e semeando. Cusco, Perú. Foto Ismael Gobbo

A colheita.  Cusco, Perú. Foto Ismael Gobbo

 

 

HOMENAGEM

Teles de Menezes

Pré-história do Espiritismo no Brasil

 

 

Teles de Menezes

 

Foi em meados de 1853 que as primeiras manifestações espiríticas, através das chamadas “mesas girantes e falantes”, entraram no Brasil. Os singulares fenômenos, que então  empolgavam a América do Norte, a Europa e parte da Ásia, eclodiram, quase que simultaneamente, na Corte do Rio de Janeiro, no Ceará, em Pernambuco e na Bahia.  Figuras ilustres da nossa Pátria , como o Marquês de Olinda, os Viscondes de Uberaba e de Monte Alegre, o Barão de Cairu (Bento da Silva Lisboa), o Conselheiro Barreto Pedroso, o monsenhor  Joaquim Pinto de Campos, o magistrado Dr. Henrique Veloso de Oliveira, o historiador Alexandre José de Melo Morais, o Dr. Sabino Olegário Ludgero Pinho, o Prof. Dr. José Maurício Nunes Garcia, os Generais José Inácio de Abreu de Lima e Pedro Pinto, etc., foram alguns dos homens notáveis  da época interessados na observação e no estudo dos incipientes fenômenos espíritas, então  complementados por assombrosos diagnósticos  e curas de doenças que se obtinham por intermédio de sonâmbulos , e de cuja veracidade deram testemunho inúmeros políticos, médicos, e pessoas gradas da sociedade, conforme o noticiário publicado nos jornais daqueles tempos.

Foram, todavia, as “mesas girantes” o fenômeno que mais impressionara a letrados e iletrados. Nos vastos salões senhoriais, cavaleiros e damas de distinta consideração agrupavam-se em torno de mesas e, colocando os dedos mínimos sobre elas, ficavam na expectativa de vê-Ias moverem-se, ou bater os pés em respostas inteligentes às perguntas que se lhes faziam. De quando em vez registravam-se extraordinárias manifestações do Além, mas só raramente despertavam reflexões mais sérias entre os assistentes em geral.

A «época heróica das mesas girantes», assim chamada pelo Dr. J. Grasset, constituiu, em todo o mundo, o «período de gestação» do Espiritismo. A obra codificadora de Allan Kardec abriu, em 1857, novos horizontes para a Humanidade. E o Brasil, onde era considerável a influência francesa, recebia, poucos anos depois, os primeiros livros da Codificação Kardequiana, aqui se tomando, afinal, conhecimento do verdadeiro significado dos fatos acima referidos, sobre os quais se havia levantado toda uma nova doutrina de verdades filosóficas e religiosas.

Na Corte de 1860, um ilustrado francês, o Prof. Casi­mir Lieutaud, poeta e contista, diretor-fundador de um Colégio onde lecionava a língua francesa, autor do apreciadíssimo «Tratado Completo da Conjugação dos Verbos Franceses, Regulares e Irregulares» (1859), cuja 25ª edições saiu em 1957, - dava a público a primeira obra de caráter espírita impressa no Brasil (e quiçá na América do Sul): «Les temps sont arrivés» «<Os tempos são chegados» ).

Seguiu-se a esta, em português, a brochura de Allan Kardec intitulada «O Espiritismo na sua mais simples expressão», traduzida do francês por Alexandre Canu. Três edições sucessivas, todas impressas em Paris, saíram em 1862, o mesmo ano de lançamento da I' edição francesa, fato este que chamou a atenção do próprio Codificador.

Em vários Estados da União o movimento espí­rita primário começou a ganhar rumos mais defini­dos. Os adeptos, isolados a princípio, puseram-se a formar grupos íntimos para o estudo das obras kar­dequianas e para experiências mediúnicas. Foi principalmente na. classe esclarecida da sociedade que o Espiritismo fez, aqui, seus primeiros progressos, posto que as obras fundamentais, por não se acharem ainda traduzidas para o vernáculo, não podiam ser lidas pe­las classes menos instruídas.

Os referidos grupos só congregavam umas poucas pessoas, geralmente da intimidade familiar, não dando ensejo, por isso, a maior divulgação das novas doutrinas. Foi, então, que um venerável vulto baiano, le­vado, segundo suas próprias palavras, «por um concurso de circunstâncias inexplicáveis», deu o primeiro passo para que o povo igualmente recebesse os ensinos consoladores trazidos pelos Espíritos do Senhor. Referimo-nos a LUIS OLIMPIO TELES DE MENEZES, do qual passamos a narrar a Vida e Obra.

 

Vida e Obra

 

Este valoroso pioneiro do Espiritismo no Brasil, filho do Oficial de Exército Fernando Luís Teles de Menezes e de D. Francisca' Umbelina de Figueiredo Menezes, nasceu na cidade do Salvador, Bahia, aos 26 de Julho de 1825, e desencarnou no Rio de Janeiro a 16 de Março de 1893.

Bem cedo ainda, resolveu seguir a carreira militar, inscrevendo-se no curso de Artilharia. Pouco tempo de­pois, entretanto, deu novo rumo ao seu espírito empreendedor, dedicando-se ao magistério particular e às le­tras. Por vários anos foi professor de instrução pri­mária e de latim, tendo publicado um compêndio de «Ortoépia da Língua Portuguesa. ». Interessando-se pela estenografia, estudou-a sem mestre, e desde logo se re­velou hábil nessa arte, sendo      então convidado para exer­cer a profissão, muito rara naqueles tempos, na Assembléia Legislativa da Bahia, a cujo serviço permaneceu cerca de trinta anos. Autodidata por excelência, acumu­lou muitos e variados conhecimentos, que lhe granjea­ram o respeito e a consideração de inúmeras pessoas  altamente colocadas na sociedade de Salvador.

 Em Setembro de 1849, distinto grupo de associados entre os quais se destacava o jovem L. O. Teles de Menezes, fundou «A Época Literária», jornal de ca­ráter científico, literário e histórico, com dissertações sobre belas-artes. Publicada sob os auspícios do Vis­conde da Pedra Branca, do Conselho de S. M. o Im­perador D. Pedro II e grande protetor das letras pá­trias, «A Época Literária» recebeu o apoio de influen­tes personalidades da capital baiana, inclusive do sá­bio Arcebispo D. Romualdo Antônio de Seixas, que con­siderou importante o serviço que o referido órgão pres­tava e prestaria a ilustração do País. Do corpo de re­dação faziam parte José Martins Pereira de Alencas­tre, Dr. Manuel Maria do Amaral Sobrinho, José Ál­vares do Amaral e Dr. Inácio José da Cunha, tendo es­tes dois últimos ingressado, mais tarde, no Espiritismo. Em suas páginas - escreveu o acadêmico Dr. .Pedro Calmon - colaboraram os melhores espíritos da época, entre eles Moniz Barreto, Pinheiro de Vasconcelos, Adé­lia Fonseca, João Gualberto de Passos, Laurindo José da Silva Rabelo, etc.  Teles de Menezes, então com a idade de 24 anos, já casado, havia um ano, com D. Ana Amélia Xavier de Menezes, publicou ali a sua.novela - «Os Dois Rivais» e foi, sem dúvida, o mais entu­siasmado do grupo, o verdadeiro dirigente do jornal, escrevendo substanciosos editoriais, a extravasar seu elevado patriotismo e o constante amor às boas cau­sas. Apesar dos esforços e do ardor juvenil de Teles de Menezes, a empresa, tão bem principiada, malogrou ante a incompreensão quase que geral do público e dos críticos invejosos. Era menos uma folha literária en­tre as pouquíssimas então existentes na Bahia...

Corre o tempo. Na data de 3 de Maio de 1856 é solenemente instalado em Salvador o (antigo) Instituto Histórico da Bahia. Congregando em seu seio as mais altas figuras da inteligência e da cultura baianas, teve como primeiro presidente o Arcebispo D. Ro­mualdo, Marquês de Santa Cruz. Teles de Menezes é proposto, em 1857; para sócio efetivo, o mesmo acon­tecendo com outros homens de alto nível cultural, entre os quais o seu amigo Dr. Manuel Pinto de Souza Dantas.

De Julho de 1861 a Maio de 1865, o nosso bio­grafado ocupou o cargo de tesoureiro no referido Instituto. A seguir, e durante dois anos, foi eleito, para a Comissão de Fundos e Orçamento. Daí por diante, nada mais conseguimos apurar.

No último período acima referido, galgou a presidência do Instituto Histórico o novo Arcebispo da Bahia, D. Manuel Joaquim da Silveira, cuja Pastoral so­bre «os erros perniciosos do Espiritismo», datada de 16 de Junho de 1867, e dada ao conhecimento público em 25 de Julho, foi desassombradamente analisada e comentada por Teles de Menezes, no mês seguinte, numa célebre «Carta» aberta ao Metropolitano e Primaz do Brasil, «Carta » que teve duas edições no mesmo ano de lançamento, sendo que a segunda é precedida de um longo «Prefácio» em que o Autor justifica as doutri­nas espíritas no atinente à preexistência, reencarnação e manifestação dos Espíritos juntando um artigo favo­rável publicado no' jornal jesuítico - «La Civiltà Cat­tolica», de 1857.

Segundo cremos, essa Pastoral surgiu por causa da propaganda-ostensiva da Doutrina Espírita nas terras baianas, quer em folhetos, quer nos jornais 'leigos, res­saltando-se dois acontecimentos que certamente vieram apressar o pronunciamento público daquele ilustre pre­lado. Um deles diz respeito ao artigo que Teles de Me­nezes, José Álvares do. Amaral e a Dr. Joaquim Car­neiro de Campos subscreveram e inseriram na «Diária da Bahia» de 28 de Setembro de 1865, artigo que re­futava o trabalho do Dr. Déchambre, publicado, havia seis anos, na «Gazette Médicale», de Paris, e que, nos dias 26 e 27, saíra, em tradução, no. mesmo. «Diária da Bahia». O artigo-réplica daqueles três impávidos van­guardeiros ecoou favoravelmente no espírito dos leito­res, chegando ao conhecimento do próprio Allan Kardec, que em sua «Revue Spirite» de Novembro de 1865 ex­pressou, em torno do fato, a justa satisfação que lhe ia n’alma, projetando-se assim, pela vez primeira, no cenário espírita mundial, o nome do Brasil.

Outra ocorrência que motivou a movimentação maior do Clero foi o lançamento, em Salvador, no ano de 1866, do opúsculo «O Espiritismo - Introdução ao Es­tudo da Doutrina Espirítica», impresso pela «Tip de Camila de Lellis Masson & C.». Eram páginas extraí­das e traduzidas por L. O. Teles de Menezes da 13ª edi­ção francesa de «O Livro dos Espíritos», de Allan Kar­dec, e havia como «Apêndice» um estudo de outro autor francês. Antecede essa obra o prefácio «Lede», em que Teles de Menezes diz do seu júbilo. «de ter sido o primeiro na Bahia que, fervorosamente, esposou a doutrina espirítica», afirmando, adiante, ser a sua Província natal, «metrópoles de todas quantas grandes idéias surgem no Brasil», a escolhida pela Bondade Divina para ser a centro donde as idéias espíritas se irradiariam por toda a Nação.

Não obstante a Pastoral do Arcebispo e a brochura do Padre Juliano José de Miranda, secretária da Sé Metropolitana, escrita em contestação à «Carta» de Teles de Menezes, nada impediu que o Espiritismo multiplicasse adeptos na Bahia, aprofundando raízes nos  corações férteis e generosos do povo.

Afora isso, o movimento desenvolvia-se a olhos vistos nas demais Províncias. Na capital de S. Paulo, ainda no ano de 1866, era dado a público, pela «Tipo­grafia Literária», uma outra brochura de propaganda: «O Espiritismo reduzido à sua mais simples expressão», também de Kardec, sem nome de tradutor. Na Corte do Rio de Janeiro, Casimir Lieutaud, a quem já nos refe­rimos atrás, trabalhava ativamente na divulgação dos ideais espíritas. Igualmente em 1866, saía a lume um livrinho de sua autoria: «Legado de um mestre aos seus discípulos», composto de contos morais, de algumas poe­sias em francês e de um excerto de J. J. Rousseau so­bre os deveres das moças. Pois bem! o «'Prefácio» dessa  obra era uma bela página extraída e traduzida da 1ª edição francesa de «O Evangelho segundo o Espiri­tismo». Fora Lieutaud grande amigo do Brasil e dos brasileiros e manteve estreito contato com Teles de Menezes, com quem se correspondia amiúde. Mesmo durante a sua estada temporária na França, ainda ao tempo de Kardec, o erudito espírita enviava de Oloron­-Sainte-Marie (Baixos Pireneus), ao confrade baiano suas preciosas colaborações. Retomando ao Rio de Ja­neiro, foi eleito tesoureiro da primeira diretoria do «Grupo Confúcio», criado em 1873, inscrevendo-se, mais tarde, entre os membros fundadores da Federação Es­pírita Brasileira.

 

Grupo Familiar do Espiritismo

Objetivando espalhar por esses Brasis afora as se­mentes da Terceira Revelação, o Alto, que a tudo pre­sidia, escolhera como ponto de irradiação a dadivosa Bahia, onde foram lançados os alicerces da Nação cristã que hoje somos e da «Pátria do Evangelho» que ha­veremos de ser. E é, então, na «Leal e Valorosa Cidade» do Salvador que Luís Olímpio Teles de Menezes organiza uma sociedade nos moldes desejáveis, regida por Estatutos que facultavam o ingresso de quaisquer estudiosos e instituíam o trabalho assistencial nos meios espíritas.

Fundou-se assim, a 17 de Setembro de 1865 (1), o «GRUPO FAMILIAR DO ESPIRITISMO», o primeiro e legítimo agrupamento de espíritas no Brasil, destinado igualmente a orientar a propaganda e a incentivar a criação de outras sociedades semelhantes pelo resto do País.

«O dia 17 de Setembro de 1865» - escreveu Teles de Menezes - «marcará uma época feliz em nossa vida, e o deverá também ser nos fastos do Espiritismo no Brasil. » Às 23,30 horas desse mesmo dia, os membros do Grupo recém-fundado recebiam assinada por «Anjo de Deus», a primeira página psicográfica de que se tem notícia na Bahia, fato este que lhes trouxe inefável felicidade. Dos termos desta e de outras mensagens pos­teriores, depreende-se que o Espírito comunicante re­velava-se possuído de elevados dotes morais, embora ainda preso a certos dogmas católicos, que entremos­travam a presença, talvez, de um sacerdote desencar­nado não havia muito.

Em razão de todo esse conjunto de sucessos pio­neiros, é que a Bahia é tida como o «berço do Espiri­tismo» em terras brasileiras.

Na presidência do «Grupo Familiar do Espiritis­mo», Teles de Menezes distinguiu-se pelo seu ânimo forte, pela sua cultura e elevação de sentimentos, suportando com destemor e firmeza dalma o espírito zom­beteiro dos incrédulos e materialistas da terra de Gre­gório de Matos, bem como o ambiente hostil da re­­ligião dominante, então a Religião do Estado, segundo o art. 19, § 59, da Constituição do Império.

(1) Veja-se o "Relatório da Associação Espirítica Bra­sileira, apresentado em sua sessão magna, celebrada em 17 de Setembro de 1874, por Luis Olímpio", Bahia, 1874, página 3.

 E' exemplo expressivo das chacotas e chufas, lançadas contra ele e o Espiritismo, os versos e as curtas e burlescas com­posições teatrais que a «Bahia Ilustrada» publicava desde o ano de sua fundação, em 1867. Esse mesmo jornalzinho de Salvador estampou várias caricaturas depreciativas do Espiritismo, quase todas grosseiras, ofensivas ou injuriosas. Tudo isso era feito sem que as autoridades fizessem valer o art. 277 do Código Cri­minal do Império, artigo que prescrevia pena para quem abusasse ou zombasse de qualquer culto estabelecido no Brasil. E não havia como negar o caráter religioso do Espiritismo já naquela época, caráter reconhecido pelo próprio Arcebispo da Bahia, D. Manuel Joaquim da Silveira, ao escrever: «o Espiritismo é essencialmente religioso, ou antes, é um atentado contra a Religião Católica.

No curioso artigo intitulado «Seria Castro Alves espírita?», publicado em «O Globo» de 19/8/61, o bri­lhante homem de letras, crítico e ensaísta baiano, Dr. Eugênio Gomes, conta que Castro Alves volveu à Bahia justamente em meado daquele ano de 1867, quan­do mais adverso era o ambiente para com o Espiritis­mo, ali permanecendo até Fevereiro de 1868.

Certamente eram do conhecimento de Castro Alves, apaixonado discípulo de Vítor Hugo, as experiências com as «mesas girantes» realizadas na ilha de Jersey. Através desse processo, o romancista de «Os Miserá­veis», juntamente com Augusto Vacquerie, Sra. Emílio de Girardin e outros vultos da Literatura francesa, ti­nham obtido notáveis comunicações do Além. O fato é ue a doutrina dos Espíritos já influenciava várias produções do genial poeta de «Les Contemplations», in­clusive o seu poema autobiográfico <A Olímpio», tra­duzido por Castro Alves.

Chegando à terra natal, o jovem poeta baiano, que sempre se bateu contra qualquer opressão e que vibrava com todas as idéias novas, viu «a doutrina de Kardec lutando por um lugar ao sol, ou melhor, dito, à sombra, o que «já era uma razão para inspirar-lhe al­gum interesse e mesmo simpatia. Não estava em si per­manecer indiferente aos perseguidos.. .»

E afirma o Dr. Eugênio Gomes haver, em dois dos manuscritos do poeta, «indicação positiva de que essa corrente do espiritualismo o atraiu de qualquer modo». Um deles é revelado por Afrânio Peixoto na sua intro­dução a «Os Escravos»; outro é o fragmento da peça «D. Juan ou a Prole dos Saturnos».

O interessante trabalho de Eugênio Gomes faz ou­tras curiosas revelações e transcreve um trecho da carta que Augusto Álvares Guimarães, amigo e cunhado de Castro Alves, a este respondera, da Bahia, na data de 30 de Junho de 1870, cerca de um ano antes de o poeta desencarnar:

«Não há nenhuma obra de Allan Kardec com o nome de Poética do Espiritismo. Foi-me facul­tada a consulta em uma Biblioteca Espírita e verei o que te poderá servir. Mandar-te-ei pelo Gregó­rio que é portador seguro. >

Diante disto, concluiu o distinto autor de «Prata de Casa>: «O que Castro Alves produziu depois não deixa transparecer qualquer influxo direto do Espiri­tismo, mas não resta dúvida que este o preocupava, talvez apenas literàriamente, em seu derradeiro ano de existência. >

Se Teles de Menezes conservou seu espírito acima dos sarcasmos, motejos e diatribes vindos de fora, o mesmo não aconteceu quando o demônio da vaidade, da inveja e da intriga se insinuou entre alguns confrades, amargurando-lhe profundamente a alma sensível, le­vando-o a dar, mais tarde, a explicação a seguir, não obstante confessasse a tranqüilidade de sua consciência:

«Imensa, por sem dúvida, é a distância que me separa do fundador da Doutrina, mas como em outra ocasião já vos disse (2), tendo sido, por um concurso de circunstâncias inexplicáveis, levado a ser como que o iniciador das doutrinas espiríticas nesta terra de Santa Cruz, tenho também, à se­melhança do mestre, experimentado certas antipa­tias e afastamentos. Causaria, porém, admiração, e mesmo talvez pasmo, se a causa verdadeira de tais fatos de muitos fosse conhecida. Em todo caso, os que assim têm procedido é porque não me per­doam tê-los adivinhado; a esses devem ser aplica­das as significativas e judiciosas reflexões do mes­tre: «Se quisessem por momentos colocar-se no ponto de vista extraterrestre, e ver as coisas um pouco mais de cima, compreenderiam como é pue­ril o que tanto os preocupa, e não se admirariam da pouca importância que a isso liga todo verda­deiro espírita: é que o Espiritismo abre horizontes tão vastos, que a vida corpórea, curta e efêmera como é, apaga-se com todas as vaidades e suas pe­quenas intrigas diante do infinito da vida espiritual. »

Varão cheio de fé e inquebrantável dedicação aos labores construtivos na Seara Espírita, Teles de Mene­zes não largava as mãos do arado. “Vez por outra, como que a prevenir os seus sucessores do caminho áspero a ser trilhado, dizia dos sacrifícios sem conta que ele e os irmãos de ideal vinham arrostando no desempenhoda árdua missão que o Alto lhes cometera, «árdua e até” espinhosa, sim, mas irradiante de bem fun­dadas esperanças», assegurava ele entre, resignado e confiante.

(2) Em "Discurso" de 12 de Dezembro de 1873. ­(N. da Editora)

Se Jesus teve os doze apóstolos, para o auxiliarem na disseminação da Boa Nova, não faltou igualmente a Teles de Menezes um seleto grupo de denodados com­panheiros, aos quais afetuosamente chamava «Irmãos Espíritas», e que ofereceram desde o simples apoio mo­ral até o trabalho ativo na Seara. Entre os que mais lhe foram chegados, merecem aqui lembrados aqueles cujos nomes seguem abaixo, alguns dos quais foram igualmente destacadas personalidades baianas: Inácio José da Cunha, doutor em Medicina, substituto (assis­tente) de Ciências  Acessórias  na Faculdade de Medi­cina da Bahia e lente catedrático de Física; Dr. Gui­lherme Pereira Rebelo, «uma das glórias  cientificas e literárias da Província da Bahia» , por muitos anos Di­retor Geral da Instrução Pública em Sergipe, sócio e orador do Instituto Histórico da Bahia, fundador e diretor  do acreditado Colégio «Pártenon Bahiano»; José Álvares do Amaral, historiador, "'oficial aposentado da Secretaria do Tesouro Provincial, tendo exercido car­gos de eleição popular e de confiança do Governo; como o de Delegado de Polícia, colaborador em vários perió­dicos baianos, v. g. '«A Marmota»; o Conselheiro de Estado, Dr. Manuel Pinto de Souza Dantas, proemi­nente figura nacional, que governou a Bahia na época em que se fundava o «Grupo Familiar do Espiritismo»; Dr. Álvaro Tibério de Moncorvo e Lima; advogado in­teligente, orador  fecundo e hábil, 21º  Presidente da

Província da Bahia, dignitário da Imperial Ordem da Rosa, «um homem de bem na extensão da palavra», pelo que lhe deram o título de «O Catão Bahiano»; Prof. Manuel Correia Garcia, erudito e culto educador, político e jornalista, escolhido pelo Governo para fun­dar a primeira Escola Normal da Bahia, advogado ilus­tre e doutor em Filosofia pela Universidade de Tubinga (Alemanha), Principal fundador do antigo Instituto His­tórico da Bahia ali sempre reeleito 1º secretário; o Visconde de Passe s (Francisco Antônio da Rocha Pita e Argolo), comendador, da Ordem, da  Rosa, tenente-co­ronel da  famosa Guarda Nacional, com relevantes ser­viços no imperial  Instituto Agrícola da Bahia, e cujo pai, o Conde de Passé, reuniu a maior fortuna do seu tempo em território brasileiro; o Barão de Sauípe, pro­prietário de terras no Município de Alagoinhas (Ba), figura bem conceituada; José Antônio de Freitas, doutor em Medicina, lente catedrático "da Faculdade da Bahia, agraciado com o  título de Conselheiro do Impera­dor; :Dr. ,Joaquim Carneiro de Campos, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Pernam­buco; 'Manuel Teixeira Soares, brilhante advogado em Salvador; Zacarias Nunes da Silva Freire, professor primário em diversas cidades baianas, cultivou as le­tras, deixando várias, e apreciadas obras; Joaquim Ba­tista Imburana, major da Guarda Nacional, veterano da Independência, condecorado com a medalha da Cam­panha da Bahia e com a veneranda Ordem da Rosa; Prof. José Francisco Lopes, lente de Geometria e Me­cânica; Professores Aureliano Henrique Tosto, Marcia­no Antonio da Silva Oliveira, Francisco Álvares dos Santos, Gervásio Juvêncio da Conceição; Antônio Gen­til Ibirapitanga, professor de Primeiras Letras ,do Ar­senal de Guerra, veterano da Independência e primeiro mestre particular de Rui Barbosa; os, Farmacêuticos José Martins dos Santos Pena e Dionísio Rodrigues da Costa; Dr. EIoy Moniz da Silva, distinto médico Bahiano; Conselheiro (futuro barão) Francisco Xavier de Pinto Lima, político, magistrado e administrador, com significativos serviços prestados à Pátria; Dr. Alexandre José de Melo Morais, respeitado médico homeopata, escritor e historiador de grande nomeada; etc., etc.

Foi o «Grupo Familiar do Espiritismo», composto de «poucos, muito poucos homens, mas de firme con­vicção, de inabalável crença e animados da melhor von­tade», o primeiro núcleo espírita regularmente consti­tuído com a decidida e heróica tarefa - podemos assim dizer - de abrir caminho, entre a gente brasileira, às novas verdades trazidas ao mundo pelos emissários do Senhor.

Por quase um decênio o «Grupo Familial do Espiritismo» desempenhou, com louros e louvores, sua mis­são na Bahia, até que lhe viesse continuar a obra a «As­sociação Espirítica Brasileira», como veremos adiante.

Com largos e benéficos reflexos em várias outras Províncias, do Império, o «Grupo» de Teles de Menezes representará sempre  marco inicial do movimento es­pírita em nossas terras.

 

«Eco d' Além Túmulo»

 

A 8 de Março de'1869, no «Grêmio dos Estudos Espiríticos na Bahia» , Luís O!ímpio, anunciava aos con­frades ali reunidos que em breve  sairia a lume o pri­meiro número de um jornal «que se consagraria ­esclarecia ele - exclusivamente aos interesses da Dou­trina» .

Nessa memorável noite, sua voz ecoou no coração dos companheiros que o escutavam, que não regatearam em contribuir monetariamente para a manutenção do órgão em vias de aparecer. Eram eles o Dr. Joaquim Carneiro de Campos, o Dr. Inácio José da Cunha, o Prof. José Francisco Lopes, o advogado Dr. Manuel Correa Garcia, os farmacêuticos José Martins Pena e José Martins dos Santos Pena, e o professor Aureliano Henrique Tosta.

Eis um trecho do discurso proferido por Luís Olim­pio, e que foi publicado no jornal em questão, em Se­tembro de 1869:

«Meus respeitáveis Irmãos Espíritas,

A idéia espirítica no curto espaço de três anos e meio, que há decorrido de sua manifestação en­tre nós, tem-se difundido com rapidez verdadeira­mente providencial, não sem obstáculos, antes, sim, com sacrifício da parte daqueles que esposaram essa idéia de regeneração social. Contudo, disseminada e ainda sem corpo, longe está ela de poder, desde já, converter-se na crença que mais tarde, com o favor de Deus, há de imprimir impulso e direção ao elemento de civilização e de perfectibilidade da so­ciedade humana, porque tudo nos diz que ela é o único móvel que poderá levar a efeito esse deside­ratum de todo coração generoso que, sinceramente, palpita com os sentimentos da verdadeira caridade.

«A nós que nos achamos hoje reunidos, cons­tituindo, naturalmente, o Grêmio dos Estudos Es­piríticos na Bahia, e a quem certa vocação do Alto cometeu o empenho desta árdua missão, árdua e até espinhosa, sim, mas irradiante de bem fundadas esperanças, incumbe, pelos meios que de mister é serem empregados, propagar essa crença regeneradora e cristã, fazendo-a chegar, indistinta­mente, a todos os homens; e o meio material que a Providência sabiamente nos oferece para levar, ràpidamente, a palavra da verdade à inteligência e ao coração de todos os homens, é a - Imprensa.»

«De há muito era por todos nós sentida a ne­cessidade de possuir-se uma publicação regular para consecução desse fim, preenchendo todas as con­dições necessárias à propagação da salutar crença espirítica. Os elementos estavam lançados, e esta é a ocasião mais azada de invocar o vosso concurso e o vosso apoio para a execução e próspero resul­tado deste empenho. »

Embora os «formidáveis embaraços que os maus Espíritos, sempre em campo, para provação do bem, procuraram opor à realização dessa idéia» (3), o dina­mismo e o amor à Causa revelados por Olímpio Teles conseguiram vencer todos os obstáculos. Em Julho de 1869, três meses após a desencarnação de Allan Kar­dec, o primeiro periódico espírita finalmente aparecia

no Brasil: «O Eco d' Além-Túmulo», com o subtítulo ­«Monitor do Espiritismo no Brasil», cuja publicação se fazia bimestralmente e que era impresso na Tipogra­fia do «Diário da Bahia».

A «Sociedade Anônima do Espiritismo», de Paris, que então dirigia a conceituada «Revue Spirite», agra­dece epistolarmente a Teles de Menezes, por seu se­cretário geral A. Desliens, a remessa do primeiro núme­ro do «Eco», enaltecendo a coragem de tão abnega­dos espíritas do outro lado do Atlântico, elogiando so­bremaneira o novo órgão de difusão da Doutrina, de 50 e poucas páginas.

Na seção «Bibliographie» da «Revue Spirite» é registrado em Outubro de 1869 «O Eco d'Além-Túmulo», c, em Novembro do mesmo ano, extensa apreciação elo­giosa, ocupando 4 páginas, é feita sobre a nova revista, com a citação de longo artigo extraído do «Eco» e ver­tido para o francês, sendo, além do mais, felicitado o Diretor por sua corajosa iniciativa.

 

(3) Discurso lido na "Associação Espirítica Brasilei­ra" na sessão geral de 12 de Dezembro de 1873, por Luis Olimpio. Bahia, 1874.

 

Transcreveremos, mais pela alegria que nos sus­cita o conteúdo, do que por mera curiosidade, parte da «Introdução», da autoria de Luís Olímpio e publicada no número um da referida revista baiana:

«Maravilhoso é o fenômeno da manifestação dos Espíritos, e por toda a parte ei-lo que surge e se vulgariza!

«Conhecido desde a mais remota antiguidade, é visto hoje, em pleno século XIX, renovado, e, pela primeira vez, observado na América Septentrional, nos Estados Unidos, onde se produziu por movimentos in­sólitos de objetos diversos, por barulhos, por pancadas e por embates sobremodo extraordinários!

«Da América, porém, passa ràpidamente à Europa, e aí, principalmente na França, após curto período de anos, sai ele do domínio da curiosidade, e entra no vasto campo da ciência.

«Novas idéias, emanadas então de milhares de co­municações, obtidas nas revelações dos Espíritos, que se manifestam, quer espontaneamente, quer por evoca­ção, dão lugar à confecção de uma doutrina, eminente­mente filosófica, a qual no volver de poucos anos tem circulado por toda a Terra e penetrado todas as na­ções, formando em todas elas prosélitos em número tão considerável, que hoje se contam por milhões.

«Nenhum homem concebeu a idéia do Espiritismo: nenhum homem, portanto, é seu autor.

«Se os Espíritos se não tivessem manifestado, espontaneamente, certo que não haveria Espiritismo: logo é ele uma questão de fato, e não de opinião, e contra o qual não podem, por certo, prevalecer as denegações da incredulidade.

«A rapidez de sua propagação prova, exuberantemente, que se trata de uma grande verdade, que, necessàriamente, há-de triunfar de” todas as oposições e de todos os sarcasmos humanos; e isso não é difícil de demonstrar-se, se atendermos que o Espiritismo faz seus adeptos, principalmente, na classe esclarecida da sociedade. »

«O maravilhoso fenômeno da comunicação dos Es­píritos, e de sua ação no mundo visível, não é mais uma novidade, está demonstrado ser uma conseqüência das leis imutáveis que regem os mundos; é um fato que se pro­duz desde o aparecimento do primeiro homem, e se tem perpetuado em todos os povos, através de todos os tem­pos, e sob caracteres diversos, dando o mais cabal teste­munho dessa verdade os arquivos da História, quer sa­grada, quer profana, onde se encontram registrados nu­merosos fatos de manifestações espiríticas.»

«A ação moralizadora do Espiritismo demonstra-se, quando consideramos que o egoísmo, essa chaga cance­rosa da Humanidade, originado pelo materialismo, nega­ção formal de todo o princípio religioso, é profundamente abalado por essa aurora celestial, que a Infinita Mise­ricórdia do Onipotente se dignou de enviar à Terra, como precursora, dessa nova e bem-aventurada Era, em que os homens, melhor compreendendo os seus recíprocos deve­res, de boa vontade cumprirão os salutares preceitos de Jesus, o Divino Salvador.

«E' ainda a aurora precursora de nova era, porque à sua luz resplandecente vão-se dissipando as sombras da incredulidade, e pouco e pouco surgindo a fé e a es­perança no coração daqueles que não possuíam tão cân­didas virtudes!»

Foi num dos números de «O Eco d'Além-Túmulo» que Teles de Menezes registrou, com aquele seu entusias­mo natural, o exemplar que o zeloso funcionário da Fazenda, Júlio César Leal, lhe oferecera de seu livro «O Es­piritismo - Meditações Poéticas sobre o Mundo invisí­vel, acompanhadas de uma evocação», editado na cidade de Penedo (Alagoas), com prefácio de 18 de Novembro de 1869. Fora ela a primeira obra poética de fundo es­pírita publicada no Brasil. Esse talentoso bahiano, aplau­dido dramaturgo, poeta e romancista, «pena hábil e bem aparada», como que previu - segundo escreve Pedro Calmon em sua «História da Literatura Bahiana» - a guerra dos Canudos em seu drama «Antônio Maciel, o Conselheiro» (1858), e haveria de ser eleito, em 1895, presidente da Federação Espírita Brasileira.

Infelizmente, «O Eco d'Além-Túmulo», que mui efi­cientemente propagava a doutrina espírita, transcrevendo artigos da «Revue Spirite» e páginas d' «o Livro dos Es­píritos», teve, à vista das inúmeras dificuldades que logo após surgiram, duração não muito longa. E o próprio Luís Olímpio quem informa: «Essa publicação peregrina percorreu o seu primeiro ano, e apenas pôde encetar o segundo, lutando corajosamente com toda a sorte de opo­sição e de manejos em larga escala, sorrateiramente pre­parados . »

«Associação Espirítica Brasileira»

 

Data de 24 de Agosto de 1871, com trinta assinatu­ras, encabeçadas pela firma de Luís Olímpio Teles de Menezes, um requerimento ao Vice-Presidente da Pro­víncia da Bahia, Dr. Francisco José da Rocha, então Presidente interino, solicitando-lhe se dignasse autori­zar a incorporação da «Sociedade Espírita Brasileira», que pretendiam estabelecer em Salvador, aprovando-lhe ao mesmo tempo os Estatutos anexados.

Embora a Constituição do Império, no seu art. 59, permitisse a coexistência de outras religiões, desde que tivessem apenas culto doméstico ou particular, em ca­sas para isso destinadas e sem forma alguma exterior de templo, e embora ainda estabelecesse (art. 179, § 5°) que ninguém podia ser perseguido por motivo de religião, uma vez que respeitasse a do Estado e não ofen­desse a moral pública, praticamente impossível era, na época, a aprovação, pelo Governo, dos Estatutos de so­ciedade religiosa que não fosse a católica, pois que, ex-vi do Decreto 2.711 de 19 de Dezembro de 1860, to­das as sociedades religiosas e políticas, e outras, tinham que obter a aprovação antecipada do Ordinário na parte espiritual.

Como é claro, as primeiras sociedades espíritas pro­curaram, então, apresentarem-se como literárias, benefi­centes ou científicas, visto que estas não passavam pela aprovação do Ordinário. Foi o que fez a «Sociedade Es­pírita Brasileira», declarando em seus Estatutos a sua condição de associação literária e beneficente. Todavia, isto de nada lhe valeu, conforme veremos, baseados em manuscritos existentes no Arquivo Público do Estado da Bahia.

O processo a que nos estamos referindo recebeu pareceres e informações do Provedor da Coroa, do Che­fe de Polícia, do Diretor Geral da Instrução Pública, de um Cônego, professor de Religião, de um professor de Filosofia, ambos do Liceu Provincial, e do próprio Ar­cebispo D. Manuel Joaquim da Silveira, Conde de São Salvador.

Como é compreensível, o Clero se opôs tenazmente à nova pretensão dos espíritas baianos, afirmando que o Espiritismo era “um atentado formal contra a verdade católica», e que <uma sociedade, cuja doutrina tem por fim contrariar a Religião do Estado é contra o mesmo Estado» (!).

Diante, principalmente, dos pareceres do Arcebispo e dos Professores, inteiramente contrários à aprovação dos Estatutos da «Sociedade Espírita Brasileira», e le­vando em conta o apoio a eles dado pelo Diretor Ge­ral da Instrução Pública, que frisava ser a Religião Ca­tólica a única «estabelecida e garantida pela Constitui­ção do Estado, respeitada por todos os poderes, consi­derada a mais perfeita, a única verdadeira por seus dogmas», foi o requerimento indeferido em fins de 1872, após permanecer na Secretaria de quatro Presidentes sucessivos, conquanto o Procurador da Coroa e o Chefe de Polícia houvessem exarado, em seus pareceres, que nada obstava a que a associação em pauta se consti­tuísse «pela maneira projetada .

Desejando os espíritas baianos organizarem-se em Sociedade com Estatutos aprovados pelo Governo, o que lhes garantiria certos direitos constitucionais, foi isto interpretado pelo Clero de maneira- sub-reptícia, capciosa, levantando-se a idéia de que as Sociedades espíritas queriam agora professar a nova doutrina com a aprovação do Governo. .

Tudo isso, entretanto, não impediu que cerca de um ano depois, em 28 de Novembro de 1873, os com­ponentes do «Grupo Familiar do Espiritismo, a fim de se premunirem contra a intolerância religiosa, se constituíssem em sociedade científica, com o nome de «Associação Espirítica Brasileira, regida pela quase totalidade das disposições estatutárias do referido «Gru­po» e que haviam sido também submetidas à aprova­ção governamental.

Tomando por base a doutrina contida em «O li­vro dos Espíritos e em «O Livro dos Médiuns, am­bos de Allan Kardec, a novel Associação, embora afir­mando-se científica, tinha como fins «o desenvolvimento moral e intelectual do homem nas largas bases que cria a filosofia espirítica,. e a exemplificação do sublime e ce­lestial preceito da caridade cristã», salientando-se que uma de suas divisas proclamava: «Fora da Caridade não há salvação».

Teles de Menezes, que se havia colocado à frente dessa instituição, foi seu primeiro presidente e, pouco depois, ganhou o título de presidente honorário. No seu primeiro relatório aos membros da dita Associação, em 12 de Dezembro de 1873, o impávido e sereno pioneiro relembra os obstáculos enfrentados pela Nova Revelação, assim dizendo num trecho do seu discurso:

«Desde que em 1865 o Espiritismo, essa idéia nova, pronunciou, para o Brasil, sua primeira palavra, lutas e dificuldades com sanha já desusada foram suscitadas pela cega e inconseqüente incredulidade dos homens, que”,endurecidos se obstinam, em fechar os olhos para não ver, em cerrar os ouvidos para não ouvir. Mas, senhores, como tudo que é providencial)" como tudo que se firma em prin­cípios' certos, uma força misteriosa tem-no sempre alentado no seu imperturbável caminhar.»

Ao finalizar seu relatório, Teles' de Menezes soli­citou sua exoneração por motivos imperiosos que o impediriam, de prestar melhor assistência à Associação, acrescentando, ainda, que talvez lhe fosse preciso au­sentar-se por algum tempo da Bahia.

Feita nova eleição, o cargo de presidente recaiu no Dr. Guilherme Pereira Rebelo, «uma das glórias científicas e literárias da Província da Bahia». Entre­tanto só pôde ele presidir a uma sessão, aquela em que tomou posse do cargo" Insidiosa enfermidade levou-o ao túmulo a 9 de Maio de 1874.

Como a saúde do Vice-Presidente - Dr. Joa­quim Carneiro de Campos não lhe permitisse assumir a presidência da Associação, "Luís Olímpio, num supre­mo esforço de boa vontade, aceitou a direção dos tra­balhos, na qualidade de 2º Vice-Presidente. O primeiro cuidado foi preencher a vaga deixada pelo presi­dente, elegendo-se a 10 de Julho o Conselheiro Manuel Pinto de Souza Dantas, que, alegando razões respeitá­veis, pediu escusa desse encargo.

Luís Olímpio continuou no exercício da presidên­cia, aguardando a eleição normal, cuja época se aproximava. Realizada esta, o Centro-Diretor teve os três primeiros cargos assim ocupados: Presidente, Dr. Ma­nuel Teixeira Soares; 1º Vice-Presidente, Dr. Joaquim Carneiro de Campos (reeleito) e 2º Vice-Presidente, Luís Olímpio Teles de Menezes.

Do Relatório que Luís Olímpio apresentou à «Associação Espirítica Brasileira», aos 17 de Setembro de 1874, extraímos vários trechos interessantes, que vão a seguir:

«Os preconceitos, infelizmente arraigados no ânimo do maior número, têm sido um dos gran­des obstáculos à propagação das salutares e rege­neradoras doutrinas da filosofia espirítica.

«A fiel exposição dessas doutrinas não está ao alcance das multidões, porque as obras fundamen­tais não se acham traduzidas na língua vernácula; entretanto, preciso é aqui notar o valioso serviço que prestou «O Eco d'Além-Túmulo» - cuja pu­blicação foi interrompida -, levando a idéia espi­rítica a todos os pontos do Brasil, de modo que hoje já se agita ela em todas as províncias, e já nalgumas se têm formado grupos e sociedades, como no Pará, Maranhão, Pernambuco e no Rio de Ja­neiro, onde as idéias espiríticas mais extensamente têm progredido, graças aos esforços de dois fervorosos adeptos, o Prof.  M. Casimir Lieutaud  e a Senhora Viúva Perret Collard, médium psicógrafo.»

O autor do Relatório expõe em seguida a impor­tância da vulgarização das obras fundamentais, reve­lando que o movimento no Rio «se tem tornado tão pronunciado que a Li­vraria Garnier foi autorizada a traduzir em por­tuguês as importantes obras de Allan Kardec, e sou informado - conclui ele - de que em breve, sessenta dias quando muito, sairá à luz «O Livro dos Espíritos», essa obra fundamental, base da fi­losofia espirítica».

Em visões proféticas com relação às claridades que o «Consolador» espalharia em todos os lares e em to­dos os corações aflitos, Luís Olímpio expande sua ale­gria na antevisão dessa nova era, dizendo:

«Essas novas gerações verão aparecer o amor e a liberdade, símbolos nobres da regeneração hu­mana; e então, no meio da crença universal em Deus, as duas imensas chagas, que tanto corroem a vida social - o egoísmo e o orgulho -, desa­parecerão. Essa feliz transformação será devida ao Espiritismo - operar-se-á pela aceitação uni­versal de sua filosofia. »

Finalizando, cheio de sadio entusiasmo, Luís Olím­pio faz rápido" histórico do movimento espírita mun­dial, declarando que as obras de Kardec penetravam todos os países, sendo que em dois deles, a Rússia e a - Espanha, já haviam vertido para suas línguas as cinco obras kardequianas fundamentais do Espiritismo.

 

Missão cumprida

Diligente paladino dos ideais espiritistas Teles de Menezes jamais, porém, se excedeu, conservando sem­pre uma linguagem nobre e serena nos seus arrazoados doutrinários. Era sócio de muitas associações espíritas da Europa e mantinha permanentes contactos epistola­res com distintos confrades, daqui e dalém-mar. Cola­borou no «Diário da Bahia», «o primeiro órgão da im­prensa brasileira que acolheu em suas colunas artigos  em favor do Espiritismo», no «Jornal da Bahia», no «O Interesse Público» e em outros periódicos da cida­de do Salvador. Exerceu as funções de Oficial da Bi­blioteca Pública da Bahia e reformou-se como tenente­-coronel do Estado-Maior do Comando Superior da fa­mosa Guarda Nacional, que teve papel saliente no Im­pério. Era, ainda, sócio honorário correspondente da Sociedade Magnética da Itália e membro do ilustrado corpo social do Conservatório Dramático da Bahia.

Cumprida a sua missão dentro do Espiritismo, de arrojado bandeirante da Doutrina dos Espíritos nas pla­gas de Santa Cruz, Teles de Menezes rumou para o Rio de Janeiro, onde fixou residência, passando, pouco depois, por volta de 1879, a fazer parte da distinta e culta corporação taquigráfica do Senado do Império, então sob a direção do esclarecido chefe da 1ª Secção da Diretoria Geral dos Correios, Sr. Joaquim. Francisco Lopes Anjo, que prestou relevantes serviços ao País, tendo recebido várias condecorações.

No desejo de facilitar o estudo e a prática da es­tenografia no Brasil, onde eram raros os que realmente a conheciam, Teles de Menezes fez editar no Rio de Janeiro, em 1885, o seu «Manual de Estenografia Bra­siliense», com estampas litografadas, «fruto da expe­riência de longos anos» e do estudo comparativo de alguns métodos estenográficos publicados na Europa. Teles de Menezes dedica a obra ao velho amigo Sena­dor Manuel Pinto de Souza Dantas, «em testemunho de respeitosa admiração, estima e reconhecimento».

Abre-se o mencionado «Manual» com uma extensa introdução do Autor, escrita em Dezembro de 1884, em que se mostram as vantagens da estenografia, histo­riando-se, após, o movimento progressivo desta arte no mundo e particularmente no Brasil onde, segundo ele, talvez não houvesse vinte brasileiros que realmente a conhecessem, fato que o entristecia.

Diz ele, a seguir, da experiência que acumulou em trinta anos de assídua prática na Assembléia Legisla­tiva da Bahia e em já seis anos no Senado do Império. Como fruto desta longa experiência e do estudo com­parativo de alguns métodos de estenografia publicados na Europa, ele resolveu contribuir com um sistema pró­prio que, facilitando ainda mais o estudo e a prática da estenografia, despertasse nos brasileiros o desejo de aprendê-Ia e usá-la. Na segunda parte do livro vem então minuciosamente exposto o seu sistema, com exer­cícios demonstrativos, sistema que ele particularmente passou a adotar.

Além dos vários trabalhos que publicou, e que já registramos, deixou inéditos, ao desencarnar, grande número de outros.

A sua contribuição, em toda a parte, foi natural e despretensiosa, despida de razões que incluíssem vai­dade ou inveja, movendo-o Unicamente o desejo sincero de trabalhar pelo bem e pela felicidade do próximo e de nossa Pátria.

Segundo apuramos, Teles de Menezes só pôde tra­balhar no Senado até mais ou menos 1892. A idade e uma nefrite crônica afastaram-no do serviço que lhe dava o pão material. O dirigente da secção taquigrá­fica daquela Casa legislativa, o Sr. Antônio Luís Cae­tano da Silva, em reconhecimento à dedicação do ex­-taquígrafo, garantiu-lhe espontaneamente, num gesto de altruísmo, uma pensão que ajudava em algo o ve­lho casal Menezes, constituído por ele e pela segunda esposa, a Sra. Elisa Pereira de Figueiredo Menezes.

Poucos anos de vida terrena restavam a Olímpio Teles e estes poucos ele os passou sob longos e doloro­sos padecimentos causados pela nefrite, e que somente tiveram fim às 22 horas e 40 minutos do dia 16 de Março de 1893 (4). Neste dia e a esta hora, à rua Ba­rão de São Felix, n. 165, com 68 anos, desatava ele o Espírito às claridades do Além-mundo, onde afinal iria receber o prêmio aos seus laboriosos esforços.

Desencarnou em pobreza extrema, sendo o seu en­terro feito no Cemitério de S. Francisco Xavier a ex­pensas de dois colegas taquígrafos, que lhe prestaram «os melhores serviços de amizade» (4).

«Reformador» de 1º de Abril de 1893, num necro­lógio do valoroso extinto, terminava com as seguintes palavras:

«Era um caráter digno de todo o apreço pela sua cultura e elevação de sentimentos, apurados por uma longa série de infortúnios que soube sempre suportar com honra e grandeza d'alma.»

Jornais do Rio e da Bahia, como o «Jornal do Com­mercio» e o «Diário da Bahia», recordaram-lhe a vida e a obra em sucintos necrológios.

Reconhecendo o valor do grande bahiano, três gran­des Enciclopédias, a de Maximiano Lemos, a publicada por W. M. Jackson e a «Grande Enciclopédia Delta­-Larousse», seguindo o exemplo do «Dicionário Biblio­gráfico Brasileiro», de Sacramento Blake, e do «Dicionário Bibliográfico Português», de Inocêncio da Silva, incluíram em suas páginas uma síntese biográfica de Luis Olímpio Teles de Menezes.

(4)"Diário da Bahia", 30 de Março de 1893.

O nome e os feitos dessa figura apostolar de pio­neiro, exemplo de tenacidade e fortaleza, conservar­-se-ão indeléveis nos Anais da História do Espiritismo no Brasil.

Homenagens

Em 17 de Setembro de 1965, dois carimbos pos­tais comemorativos, aprovados pelo Departamento dos Correios e Telégrafos, foram aplicados, nas cidades do Rio de Janeiro e do Salvador, em homenagem ao fun­dador do «Grupo Familiar do Espiritismo». Nesse mes­mo mês de Setembro, a Câmara Municipal da Cidade do Salvador fez inserir na ata dos seus trabalhos «um justo preito de admiração à honrada memória do ilus­trado e distinto Professor Luís Olímpio Teles de Me­nezes».

Quase um ano depois, os representantes do grande povo da capital bahiana homenagearam, pela segunda vez, aquele que foi venerável pioneiro espírita nas ter­ras brasileiras. A 4 de Dezembro de 1966, procedeu-se na cidade do Salvador (Bahia), às 15 horas, à inaugu­ração da placa nominativa da Rua Professor Teles de Menezes, dando-se, assim, cumprimento à Lei núme­ro 1886166, sancionada pelo Sr. Prefeito.

 

 

Fonte: Livro “Grandes Espíritas do Brasil” Autor Zeus Wantuil

Digitado por Wlamir da Silva Pires

 

 

(Texto copiado do site http://www.universoespirita.org.br/TOSHIBA%20JA%20COLOCADOS/TELES%20%20DE%20%20MENEZES.htm)

Luis Olimpio Teles de Menezes

Imagem: http://www.autoresespiritasclassicos.com/allan%20kardec/Periodicos%20Espiritas/O%20Echo%20D%20Alem-Tumulo/O%20Echo%20D%E2%80%99Al%C3%A9m-T%C3%BAmulo.htm

Selo comemorativo do Centenário da Imprensa Espírita no Brasil

homenageou Luis Olimpio Teles de Menezes. Imagens Internet

O Écho d’Além-túmulo e  selo Grupo Familair  o Espiritismo. Imagens da internet

Entrada do Cemitério de São Francisco Xavier  onde Teles de Menezes foi sepultado.

Rio de Janeiro, RJ. Foto Ismael Gobbo

 

 

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