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Boletim diário de Notícias do Movimento Espírita São Paulo, SP, sábado, 10 de janeiro de 2026. Compiladas por Ismael Gobbo |
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Notas |
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1. Recomendamos confirmar junto aos organizadores os eventos aqui divulgados. Podem ocorrer cancelamentos ou mudanças que nem sempre chegam ao nosso conhecimento. 2. Este e-mail é uma for
ma alternativa de divulgação de noticias, eventos, entrevistas e artigos espíritas. Recebemos as informações de fontes diversas via e-mail e fazemos o repasse aos destinatários de nossa lista de contatos de e-mail. Trabalhamos com a expectativa de que as informações que nos chegam sejam absolutamente espíritas na forma como preconiza o codificador do Espiritismo, Allan Kardec. Pedimos aos nossos diletos colaboradores que façam uma análise criteriosa e só nos remetam para divulgação matérias genuinamente espíritas.
3. Este trabalho é pessoal e totalmente gratuito, não recebe qualquer tipo de apoio financeiro e só conta com ajuda de colaboradores voluntários. (Ismael Gobbo).
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Atenção |
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Se você tiver dificuldades em abrir o arquivo, recebê-lo incompleto ou cortado e fotos que não abrem, clique aqui:
https://www.noticiasespiritas.com.br/2026/JANEIRO/10-01-2026.htm
No Blogonde é postado diariamente: http://ismaelgobbo.blogspot.com.br/
Ou no Facebook:https://www.facebook.com/ismael.gobbo.1
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Os últimos 5 emails enviados |
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DATA ACESSE CLICANDO NO LINK
06-01-2026 https://www.noticiasespiritas.com.br/2026/JANEIRO/06-01-2026.htm 02-01-2026 https://www.noticiasespiritas.com.br/2026/JANEIRO/02-01-2026.htm 30-12-2025 https://www.noticiasespiritas.com.br/2025/DEZEMBRO/30-12-2025.htm 27-12-2025 https://www.noticiasespiritas.com.br/2025/DEZEMBRO/27-12-2025.htm 24-12-2025 https://www.noticiasespiritas.com.br/2025/DEZEMBRO/24-12-2025.htm
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Publicação em sequência Revista Espírita – Ano 7 - 1864 |
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(Copiado do site Febnet) |
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Um cartão postal, de 1905, refere-se à cidade como Constantinopla, e ao centro da cidade como Istambul. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Names_of_Istanbul#/media/File:Constantinople_late_19th_century.jpg |
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Istambul* com seus inumeráveis minaretes vista do topo da Torre de Gálata. Foto Ismael Gobbo.
* Antiga Constantinopla.
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Catedral de Santa Sofia, em Istambul, Turquia. A cidade de Istambul também foi chamada Bizâncio e Constantinopla. Em primeiro plano comércio na Praça Sultanahmet. Foto Ismael Gobbo
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Barão du Potet Imagem/fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Portrait_of_Baron_du_Potet.jpg
Jules Denis du Potet Sennevoy mais conhecido por Barão du Potet (Sennevoy-le-Haut, 12 de abril 1796 - Paris, 1 de julho 1881) filho de família nobre, foi um influente Magnetizador francês. Barão du Potet notabilizou-se como fundador dos jornais “Le Propagateur du Magnétisme animal” e “Journal du Magnétisme”, o último, sendo o maior vinculador do tema Magnetismo animal. Leia mais: |
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La Magie Dévoilée. A Magia Revelada. Du Potet Acesse aqui: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k123162m/f5.image.texteImage
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Manual do estudante magnetizador Manuel de l'étudiant magnétiseur (4e édition corrigée et très ... Du Potet de Sennevo Acesse aqui: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k6374048x.texteImage |
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Agénor Étienne, conde de Gasparin https://en.wikipedia.org/wiki/Ag%C3%A9nor_de_Gasparin
Agénor Étienne, conde de Gasparin (12 de julho de 1810 - 4 de maio de 1871) foi um estadista e escritor francês . Ele também foi um dos primeiros pesquisadores psíquicos, conhecido por conduzir experimentos para derrubar mesas . Leia mais: |
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O jornal mensal “Le Chercheur”, de Paris, França, 01/1888, traz ilustração de Daniel Dunglas Home levitando. Imagem/fonte: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k96914488.texteImage
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Mesas Girantes. Imagem publicada na revista Ilustration em 1853 para ilustrar um artigo intitulado: “Histoire of the semaine”. Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Tables_tournantes_1853.jpg
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Allan Kardec, Codificador do Espiritismo.(Lião 03-10-1804 / Paris 31-03-1869) Imagem/fonte: https://dialogos.files.wordpress.com/2007/02/allan-kardec-tratado-2.jpg
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O Evangelho segundo o Espiritismo. Por Allan Kardec. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB – Federação Espírita Brasileira |
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CAPÍTULO XXI ---------- Haverá falsos cristos e falsos profetas
– Conhece-se a árvore pelo seu fruto – Missão dos profetas – Prodígios dos falsos profetas – Não creiais em todos os Espíritos – Instruções dos Espíritos: Os falsos profetas – Características do verdadeiro profeta – Os falsos profetas da erraticidade – Jeremias e os falsos profetas
Não creiais em todos os Espíritos
6. Meus bem-anadis, não creiais em todo Espírito, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas já se têm levantado no mundo. (JOÃO, PRIMEIRA EPÍSTOLA, 4:1.)
7. Os fenômenos espíritas, longe de abonarem os falsos cristos e os falsos profetas, como algumas pessoas gostam de dizer, vêm, ao contrário, desferir-lhes o golpe final. Não peçais milagres nem prodígios ao Espiritismo, porque ele declara formalmente que não os produz. Do mesmo modo que a Física, a Química, a Astronomia e a Geologia revelaraimas leis do mundo material, ele vem revelar outras leis desconhecidas, as que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual, leis que, tanto quanto aquelas outras da Ciência, são Leis da Natureza. Ao facultar a explicação de certa ordem de fenômenos incompreendidos até hoje, o Espiritismo destrói o que ainda restava do domínio do maravilhoso. Quem, portanto, se sentisse tentado a explorar os fenômenos espíritas em proveito próprio, fazendo-se passar por Messias de Deus, não conseguiria abusar por muito tempo da credulidade alheia e logo seria desmascarado. Ademais, como já se tem dito, tais fenômenos, por si sós, nada provam; a missão se prova por efeitos morais, o que não é dado a qualquer um produzir. Eis aí um dos resultados do desenvolvimento da ciência espírita; pesquisando a causa de certos fenômenos, ela levante o véu de sobre muitos mistérios. Só os que preferem a obscuridade à luz, têm interesse em combatê-la, mas a verdade é como o Sol: dissipa os mais densos nevoeiros. O Espiritismo revela outra categoria bem mais perigosa de falsos cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudossábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara com que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais singulares e absurdas ideias. Antes que se conhecessem as relações mediúnicas, eles atuavam de maneira menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, audiente ou falante. É considerável o número dos que, em diversas épocas, principalmente nestes últimos tempos, se têm apresentado como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até como Deus. João adverte os homens contra eles, dizendo: “Meus bem-amados, não creiais em todo Espírito, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas já se têm levantado no mundo”. O Espiritismo nos fornece os meios de os experimentar, apontando as características pelas quais se reconhecem os Espíritos bons, características sempre morais, nunca materiais.25 É à maneira de se distinguirem os Espíritos bons dos maus que, principalmente, podem aplicar-se estas palavras de Jesus: “Pelo fruto é que se reconhece a qualidade da árvore; uma árvores boa não pode produzir maus frutos, e uma árvore má não os pode produzir bons”. Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como se julga uma árvore pela qualidade dos seus frutos.
Próximo Instruções dos Espíritos Os falsos profetas
(Copiado de O Evangelho segundo o Espiritismo. Por Allan Kardec. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB – Federação Espírita Brasileira) |
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Ensinamentos de Jesus 36 de 40. Parábola da figueira. Gravura de Jan Luyken. Bowyer Bible.gif Descrição: Gravura de Jan Luyken ilustrando Lucas 13:6-9 na Bíblia Bowyer, Bolton, Inglaterra. Data: 6 de agosto de 2009 Fonte: Foto de Harry Kossuth Autor: Phillip Medhurst. Imagem/fonte:
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Parábola do Semeador. Óleo sobre tela de Abel Grimer. Imagem/fonte: http://www.wikigallery.org/wiki/painting_205704/Abel-Grimer/The-Parable-of-the-Sower
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Signorelli - Anticristo e o diabo Descrição Português: Anticristo com o diabo, dos Feitos do Anticristo Data: cerca de 1501 Fonte [1] Autor Luca Signorelli (1450–1523) wikidata:Q7031 q:it:Luca Signorelli. Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Signorelli-Antichrist_and_the_devil.jpg |
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Simeão no Templo. Óleo sobre tela de Rembrandt. Descrição Apresentação de Jesus no Templo. Coleção Nationalmuseum. Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rembrandt_-_Circumcision_-_WGA19111.jpg |
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Espinheiro. Cafarnaum, Israel. Foto Ismael Gobbo
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Figueira em Cesaréia, Israel. Fotos Ismael Gobbo. |
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‘ O Mar Mediterrâneo em Cesaréia, Israel. Foto Ismael Gobbo.
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Agricultura na Galiléia, Israel. Foto Ismael Gobbo. |
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Plantações e sistema de irrigação às margens do Mar da Galiléia em Cafarnaum, Israel. Foto Ismael Gobbo. |
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O evangelista Mateus inspirado por um anjo. Óleo sobre tela por Rembrandt. Imagem/fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Authorship_of_the_Bible#/media/File:The_Evangelist_Matthew_Inspired_by_an_Angel.jpg
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São Lucas Evangelista. Obra do Artista Vladimir Borovikovsky. Data 1804-1809 Óleo médio sobre papelão Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:St_Luke_the_Evangelist.jpg |
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São Marcos escreve seu Evangelho sob o ditado de São Pedro. Óleo sobre tela de Pasquale Ottino Imagem/fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Pasquale_Ottini
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Sermão da Montanha. Pintura de Henrik Olrik Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sankt_Matthaeus_Kirke_Copenhagen_altarpiece_detail1.jp
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Prece do “Pai Nosso”. Aquarela por James Tissot. Imagem/fonte:
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Allan Kardec (1804- 1869). Codificador do Espiritismo Imagem/fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/12/Hippolyte_L%C3%A9on_Denizard
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Tempo de plantar e de arrancar o que se plantou |
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Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer. Tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou. O trecho extraído do livro bíblico Eclesiastes nos faz lembrar dos ciclos da vida. Há um tempo para tudo. Recorda-nos igualmente que a existência, a vida, é como uma gleba, um terreno fértil que todos recebemos ao nascer. Cada um pode plantar o que quiser, quando e como quiser. No entanto, as leis universais nos falam que há também o tempo de colher, de arrancar o que se plantou. Tudo que se planta, se colhe. Um provérbio oriental já dizia que o plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória. Desde o momento que adquirimos consciência e responsabilidade pelos nossos atos, a semeadura se torna, igualmente, consciente e responsável. Quanto ao que plantamos, consideremos que algumas sementes florescem rapidamente, outras não: exigem anos, décadas, séculos. Ao plantar um pé de alface, por exemplo, poderemos colhê-lo em poucas semanas. O mesmo não acontece com o café. Um pé de café leva anos para nos ofertar os primeiros frutos. Assim são nossas semeaduras. Ao semear simpatia e gentileza no dia a dia, certamente verificamos os resultados em pouco tempo e em muitos corações. São as sementes que brotam rapidamente em forma de amorosidade que retorna a quem oferta. Quando semeamos alegria e otimismo onde estamos, podemos perceber, quase que de pronto, a modificação nos ares que nos cercam. Pensamentos elevados, construtivos, transformam a psicosfera, purificam a estrada por onde passamos. Existem, no entanto, os plantios de longo prazo. A semeadura de amor no coração endurecido de um filho exige cuidados permanentes, rega, poda, iluminação e húmus enriquecido. É semelhante ao cultivo do pé de café. Poderão transcorrer anos, por vezes, sem vermos qualquer resultado. Há mães e pais que não terão a oportunidade de colher os frutos nesta encarnação, pois sua missão primeira é a da semeadura e a da manutenção do plantio. São plantas que desabrocharão mais tarde, depois de muito trabalho e dedicação, até de outros jardineiros, quem sabe, pois tudo tem o seu tempo determinado: tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou. Mas sempre é tempo de plantar. Uma terra ociosa é uma terra inútil. Nela crescerá o joio indesejado que tomará o lugar dos belos jardins. Todos sonhamos com a felicidade, e quem sabe seja essa a melhor colheita de todas. Perguntemo-nos se temos feito o nosso plantio. Temos realizado os devidos cuidados no cultivo? Como sonhar com maçãs se só deixamos crescer ervas daninhas em nosso quintal? A vida é uma gleba, um terreno fértil que todos recebemos para utilizar como bem quisermos. A semeadura é livre, o cultivo é de responsabilidade só nossa. E a colheita é certa, no seu tempo determinado. Pensemos nisso, hoje, agora. Redação do Momento Espírita, com citação do
(Copiado de https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=5973&stat=0) |
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Plantação de milho e tamareiras junto a um canal do Rio Nilo, na região do Cairo. Foto Ismael Gobbo
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Plantações e sistema de irrigação às margens do Mar da Galiléia em Cafarnaum, Israel. Foto Ismael Gobbo. |
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Ações positivas |
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Em revista de grande circulação em nosso país, foram enumeradas diversas ideias que podemos colocar em prática visando a melhoria do planeta em que vivemos. Primeira: Informe-se. Acompanhe as notícias sobre meio ambiente. Atualize-se. Estude a fundo os aspectos que mais lhe interessam. Segunda: Aja localmente. Pense a respeito de como colaborar na família, na vizinhança, na escola dos filhos e na comunidade. Participe mais de tudo e difunda suas ideias sobre um mundo melhor. Terceira: Pense localmente. Estabeleça vínculos entre temas locais e globais. Apesar de magnitudes diferentes, os dois universos se correlacionam. Quarta: Some. Antes de pensar em formar uma Organização Não Governamental, procure uma parecida na qual você possa se engajar. Quinta: Otimismo é fundamental. Envolva-se de maneira criativa e divertida. Se quer atrair outras pessoas, pense em discursos e eventos positivos. Sexta: Seja efetivo. Envolva-se, torne-se ativo, mas não duplique suas obrigações. Trabalhe para ampliar sua efetividade. Sétima: Crie notícias. Identifique temas que possam interessar a muitas pessoas. Então escreva para jornais, revistas, redes de rádio e TV. Oitava: Não polua. Não jogue pilhas e baterias de celular no lixo comum. Mantenha bacias hidrográficas, rios, lagoas e represas livres de lixo ou de qualquer tipo de resíduo. Lembre-se: O cano que sai da sua casa provavelmente deságua num rio, numa lagoa ou no mar. Nona: Preserve a biodiversidade. Espécies animais e vegetais merecem respeito. Plante árvores: elas produzem oxigênio e são abrigos para aves. Décima: Seja coerente. Economize água e energia. Prefira equipamentos que não prejudiquem a camada de ozônio. Reutilize materiais. Recicle o lixo caseiro. Dentro do possível, use menos o carro. Ande mais a pé. Décima primeira: Passe sua vida a limpo. Reveja seu estilo de vida. Pense em um padrão condizente com o mundo sustentável. Décima segunda: Separe o joio. Nunca na História tivemos acesso a tanta informação e também a tantas opiniões diferentes. Use o bom senso e faça a coisa certa. Décima terceira: Ensine as crianças. Preparar as novas gerações à luz de princípios ecológicos é a garantia de um mundo mais preservado. Décima quarta: Acredite no futuro. Estimule ideias inovadoras, participe de projetos que você considera que valem a pena, renove sua crença de que tudo vai dar certo. Quanto mais pessoas acreditarem na paz, mais ela será possível. * * * O mundo em que vivemos é resultado do acúmulo de ações de cada um. Garantir a preservação do meio ambiente para as futuras gerações é uma atitude sensata para quem crê nas vidas sucessivas. Afinal, não tardará para que nós mesmos, em nova oportunidade reencarnatória, venhamos a sofrer, ou não, pelos atos praticados hoje. Pensemos nisso! Redação do Momento Espírita, com base
em artigo
(Copiado de https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=4801&stat=0) |
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Rio Tietê em Itapura, SP. Foto Ismael Gobbo
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A belíssima Cachoeira dos Pretos com 154 ms de queda. Uma das nascentes do Rio Piracicaba. Joanópolis, SP. Foto Ismael Gobbo
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Vivenciando a transformação |
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Muitos temem o fim do mundo, de maneira drástica e calamitosa. Verdade é que o mundo terreno passa por ampla transformação. Contudo, não haverá total destruição. Há décadas, a Humanidade passa por grandes avanços nas ideias e nos comportamentos, São as leis divinas, implantando uma forma diferenciada de transformação. Essa profunda reforma, embora lenta, se revela por sinais inequívocos. Mentes iluminadas estão chegando à Terra, através do processo do renascimento, com pensamentos e conceitos revolucionários. Basta observarmos nossas crianças e jovens. Basta verifiquemos as leis humanas que defendem pessoas, que ainda ontem eram discriminadas, sofrendo os preconceitos de sexo, raça, crença... O enfraquecimento de conceitos ultrapassados permite que os homens se vejam com mais fraternidade. Estão caindo as barreiras que impediam essa visão. A fraternidade será a pedra angular da nova ordem social. O progresso intelectual e tecnológico trouxe avanço para a Humanidade, mas somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra. Hoje, a Humanidade está madura para lançar o olhar às alturas que nunca tentou divisar, a fim de nutrir-se de ideias mais amplas e compreender o que antes não compreendia. A chegada de novas gerações clareia a sombra da indiferença que teimava em se impor. Elas marcham para a realização de todas as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento que a Humanidade já alcançou. Grande ainda é o número dos retardatários, dos que insistem na maldade, mas o que poderão fazer contra a onda crescente que se apresenta? Pode-se discernir essa onda presente na mente e no trabalho da nova geração, que encara o desafio de lutar pela moralidade, em muitos setores. Os embates são grandes, mas a lei suprema há de fortalecer os destemidos que se dispõem ao trabalho de reforma. Com o passar do tempo, as mentes que se cristalizaram na visão preconceituosa e ultrapassada, partirão deste planeta porque ninguém vive, para sempre, sobre a Terra. Deixarão de causar obstáculos ao progresso. Por isso, não é necessário um cataclismo que venha aniquilar a Humanidade terrena. As leis divinas estabelecem que, através da reencarnação, as almas que aqui habitam se renovem. Almas que trazem em si as conquistas inerentes ao progresso moral, alavancarão o avanço que se espera. No momento, as criaturas ainda se encontram misturadas, como o joio e o trigo, gerando confusão e desconforto. Entretanto, é possível perceber-se o distanciamento na categoria de pensamentos e ações, entre uma e outra geração. De um lado, inclinações instintivas das paixões, revoltas, exaltação do orgulho, egoísmo, inveja, ciúme, crime e apego material. De outro, a busca em implantar o reinado da justiça, da fraternidade e do amor. Agradeçamos ao Divino Senhor que nunca abandona os Seus filhos. Saibamos optar pelo crescimento moral e intelectual, para fazermos jus à nova realidade que nos espera. Redação do
Momento Espírita, com transcrição do
(Copiado de https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=5031&stat=0) |
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Cristo e o pecador. Óleo sobre tela de Henryk Siemiradzki Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Semiradsky_Christ_and_Sinner.jpg - Jesus e a mulher apanhada em adultério
1Jesus, porém, foi para o monte das Oliveiras. 2Ao amanhecer ele apareceu novamente no templo, onde todo o povo se reuniu ao seu redor, e ele se assentou para ensiná-lo. 3Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos 4e disseram a Jesus: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. 5Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz?" 6Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim
de terem uma base para acusá-lo. 7Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela". 8Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão. 9Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele. 10Então Jesus pôs-se em pé e perguntou-lhe: "Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou?" 11"Ninguém, Senhor", disse ela. João 8:1-11(Copiado de https://www.bibliaon.com/versiculo/joao_8_1-11/) |
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Voltar para casa |
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O novo coronavírus nos impôs alterações em nossa forma de viver. Todos fomos convidados a uma volta para casa. Para os que acreditamos que a morte seja uma vírgula e não um ponto final, voltar para casa pode ser retornar à pátria espiritual, de onde um dia saímos e para a qual retornaremos. Esperamos que mais experientes, virtuosos e sábios. Podemos pensar, também, num olhar mais atento para a nossa morada comum, a casa planetária, tão maltratada e explorada por causa da ganância e egoísmo que ainda nos caracteriza. Por conta dessas imperfeições destruímos abusivamente, pensamos exclusivamente em nós, burlamos leis, ferimos ecossistemas. Tudo por conta da nossa sanha de poder e domínio. Nossa Terra, com sua biodiversidade, culturas diversas e histórias maravilhosas de cada povo, pedia socorro e nos convidou a repensar a relação que temos estabelecido com ela. Cabe refletirmos na quantidade de lixo que produzimos, no consumo desenfreado, na poluição que geramos, no acúmulo desproporcional de riqueza em detrimento do empobrecimento contínuo de tanta gente. Uma terceira interpretação é a de valorizarmos mais a nossa habitação, o espaço que nos abriga, todos os dias, com nossa família consanguínea. Além dos cuidados materiais que esse lugar solicita em termos de limpeza e conservação, é nele que damos e recebemos afeto. É esse recanto formidável que podemos transformar em lar, criando genuínos laços de amor. Um quarto viés é pensarmos no corpo físico, morada da alma, da essência espiritual que somos. Zelarmos por ele com uma alimentação saudável, boa ingestão de água, atividades físicas, ocupação útil, descanso necessário. Também deixando de bombardeá-lo com o tóxico dos maus pensamentos, valorizando o investimento evolutivo e espiritual que a vida nos oferece. Estarmos num corpo físico é estarmos matriculados numa escola onde temos muito para aprender. Naturalmente, nenhum aluno consciente deixa de valorizar e preservar uma escola tão sublime como esta. Por fim, voltar para casa também nos faz pensar na casa mental e emocional. Há muito lixo mental e emocional que guardamos sem reciclar e descartar adequadamente. Por isso adoecemos. Essa parada forçada em casa é um convite divino para repensarmos o que temos feito da vida, das nossas múltiplas relações, do tempo, da inteligência, do dinheiro, do planeta, da saúde. Também como temos utilizado os princípios religiosos que abraçamos. É a possibilidade de um mergulho mais profundo em nós mesmos a fim de mudarmos, corrigirmos o rumo, acertarmos o prumo, voltarmo-nos para o que é essencial. E essencial é o respeito ao outro, o compartilhar, descobrindo que não somos donos de nada e que toda forma de apego gera sofrimento. Enfim, que precisamos de mais empatia e compaixão. Temos em nossas mãos a possibilidade real, de agora em diante, de fazermos do amor a nós mesmos e ao próximo, a regra áurea da vida. Uma regra com roteiro ensinado e exemplificado por um homem terno e gentil, sábio e amigo, há mais de dois mil anos: Jesus de Nazaré. Redação do Momento Espírita, com base no
(Copiado de https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=6007&stat=0) |
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O retorno do filho pródigo. Italian (Neapolitan) – School. Imagem/fonte:
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Evangelho e Espiritismo |
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Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Livro: Opinião Espírita. Lição nº 60. Página 194.
A Gênese - Capítulo I - Item 41
Todos aqueles que negam a feição religiosa do Espiritismo, recusando-lhe a posição de Cristianismo Restaurado, decerto, ainda não abarcaram, em considerações mais amplas, a essência evangélica em que se lhe estruturam os princípios, nos mais íntimos fundamentos. Examinemos, pela rama, alguns dos pontos mais importantes de formação do Testamento Kardequiano: - "O Livros dos Espíritos", que se popularizou com mil e dezoito questões, sabiamente explanadas, não obstante os primores filosóficos de que se compõe, é um código de responsabilidade moral, iniciado com duas proposições, acerca de Deus e do Infinito, e rematado com outras duas, que se reportam ao reino de Cristo nos corações e ao reinado do bem, no caminho dos homens. - "O Livro dos Médiuns", volume de metodologia para o intercâmbio entre encarnados e desencarnados, apresenta, de entrada, valiosa argumentação, alusiva à existência do Mundo Espiritual, e reúne, no encerramento, diversas comunicações de individualidades desencarnadas, ao mesmo tempo que nos convida a exame sério e imparcial de todas as mensagens recolhidas do Além, por via mediúnica, salientando-se que a primeira página da seleção exposta começa com significativa advertência de Agostinho: "Confiai na bondade de Deus e sede bastante clarividentes para perceberdes os preparativos da vida nova que ele vos destina". - “O Evangelho, segundo o "Espiritismo" abre as próprias elucidações com judiciosos apontamentos, em torno de Móises e da Lei Antiga, compendiando, em seguida, os ensinos de Jesus, em todo o texto, para concluir, alinhando comovedores poemas de exaltação à prece. - "O Céu e o Inferno", tomo de cogitações francamente religiosas, segundo a definição do título, começa analisando o porvir humano, do ponto de vista espiritual, e termina com o ditado de José, o cego, espírito de evolução mediana que encarece a necessidade do sofrimento no serviço expiatório da consciência culpada e destaca a excelência da reencarnação, na Justiça Divina. - "A Gênese", o livro final da Codificação e que enfeixa arrojadas teses de ciência e filosofia, enfileira dezoito capítulos, com mais de cem artigos, dos quais da terça parte se referem exclusivamente a passagens e lições do Divino Mestre, acrescendo notar que a obra principia, aceitando o Espiritismo em sua missão de Consolador Prometido, com a função de explicar e desenvolver as instruções do Cristo, e despede-se com admiráveis reflexões sobre a geração nova e a regeneração da Humanidade. Cremos de boa fé que todos os companheiros, propositadamente distanciados da tarefa religiosa do Espiritismo, assim procedem, diligenciando imunizar-nos contra a superstição e o fanatismo, que a plataforma libertadora da própria Doutrina Espírita nos obriga a remover, mas, sinceramente, não entendemos a Nova Revelação sem o Cristianismo, a espinha dorsal em que se apóia. Isso acontece, porque, se após dezenove séculos de teologia arbitrária, não chegaríamos a compreender agora, no mundo, o Evangelho e Jesus Cristo, sem Allan Kardec, manda a lógica se proclame que o Espiritismo e Allan Kardec se baseiam em Jesus Cristo, de ponta a ponta.
(Texto recebido em email do divulgador Antonio Sávio, Belo Horizonte, MG) |
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Capa da 1ª. edição de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, lançados aos 18 de abril de 1857. Copiada de https://kardec.blog.br/18-de-abril-de-1857/
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As obras básicas do Espiritismo codificado por Allan Kardec. Imagem/fonte: http://www.guia.heu.nom.br/obras_basicas.htm |
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Nota: Comunicado à Comunidade Espírita Internacional |
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Com profunda serenidade e respeito, informamos à comunidade espírita internacional que nossa querida irmã Jean Anette Duncan, carinhosamente conhecida como Janet Duncan, nascida em 6 de agosto de 1928, faleceu hoje, 7 de janeiro de 2026, e partiu para a Vida Espiritual. Ela foi uma verdadeira pioneira do Espiritismo no Reino Unido. Como tradutora da primeira edição em inglês de O Evangelho Segundo o Espiritismo e uma dedicada fundadora do movimento espírita no Reino Unido, a jornada de vida de Janet Duncan foi marcada pela fidelidade aos ensinamentos de Jesus e Allan Kardec, pelo serviço incansável à bondade e por um amor sereno expresso através de dedicação altruísta. Seu legado permanece vivo nas sementes que plantou, nos corações que despertou e nas gerações que continuarão o caminho que ela tão amorosamente ajudou a construir. Neste momento de oração e reflexão, nos unimos em vibrações de gratidão, paz e luz, confiando que os Benfeitores Espirituais a acolham amorosamente e a guiem em segurança de volta à Pátria Espiritual. Que o Consolador Prometido sustente todos os corações aflitos, transformando a saudade em esperança, a tristeza em oração e a despedida em confiança na continuidade da Vida. Com fraternidade e luz, British Union of Spiritist Societies e Allan Kardec Study Group-UK Compartilhamento de homenagem de Cesar Perri: Esclarecemos que Janet Duncan foi uma das fundadoras do Conselho Espírita Internacional, em 1992, e com efetiva atuação em atuações deste Órgão.
(Recebido em email de Antonio Cesar Perri de Carvalho [[email protected]]) |
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A pioneira espírita britânica Janet Duncan |
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Antonio Cesar Perri de Carvalho Janet Duncan (1928-2026) fundou a primeira instituição espírita na Inglaterra, o Allan Kardec StudyGroup, em 1983. Antes desse Centro pioneiro fundado por Janet Duncan em Londres, existiam as tradicionais “SpiritualistsChurches”, ligadas à histórica “SpiritualistAssociationofGreatBritain”, editora de vários livros sobre fatos espirituais e do jornal “Psychic News”, e, a “Society for PsychicalResearch” que reuniu acadêmicos e pesquisadores para a pesquisa de fatos espirituais. Foi essa realidade que constatamos em viagens à Inglaterra em 1971 e 1973.1,2 Janet conheceu o espiritismo no período em que residiu em São Paulo, em atividades profissionais. Foi colaboradora do Grupo Espírita Batuíra, e, visitou várias vezes Chico Xavier. Ao retornar ao seu país. fundou o citado centro em Londres e criou a Allan Kardec Publishing Ltd, que editou em inglês os livros Agenda cristã, Nosso lar e O evangelho segundo o espiritismo. Conhecemos pessoalmente Janet durante o 1o Congresso Espírita Internacional, realizado em Brasília em outubro de 1989.1,3 De 18 a 20 de outubro de 1991, realizou-se em São Paulo o Congresso Espírita Internacional - FEESPIRITA 91, no qual participaram muitos representantes do movimento espírita daEspanha, França, Bélgica, Portugal, Estados Unidos, Colômbia, Argentina e Janet Duncan do Reino Unido.1,3 Como presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo participamos desse Congresso em São Paulo e das reuniões dos visitantes estrangeiros que preparavam a criação de um Órgão Internacional, com o apoio da FEB. Naquela oportunidade, oferecemos um jantar de confraternização aos visitantes, na da sede da USE-SP. Como desdobramento de reuniões realizadas em Liège e em São Paulo, foi fundado o Conselho Espírita Internacional, durante Congresso Espírita Espanhol-CEI, em Madrid, em novembro de 1992. Na fundação do CEI estavam presentes nove países, sendo Janet Duncan representante do Reino Unido.3 Estivemos com Janet em vários Congressos e eventos promovidos pelo CEI. No período de 30 de março a 1o de abril de 2001 comparecemos ao 4o Encontro da Coordenadoria de Apoio ao Movimento Espírita da Europa, efetivado em Berlim (Alemanha). A reunião foi presidida por Roger Perez (da França) que era o coordenador deste órgão regional do Conselho Espírita Internacional. Estavam presentes representantes da Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Itália, Holanda, Portugal, Suécia, Suíça e Reino Unido, e alguns membros da Comissão Executiva do CEI. Comparecemos como representante de Nestor João Masotti, secretário geral do CEI - que não pode comparecer porque havia sido eleito presidente da FEB havia 15 dias -, e com a tarefa de lançar La revuespirite, que passava a ser editada pelo CEI, o exemplar do 2o Trimestre de 2001, impressa na Casa Editora.1,3 Nesse evento de Berlim aconteceu um fato histórico com o depoimento pessoal que nos fez Janet Duncan, representando o Reino Unido. Repentinamente ela nos confidenciou que se preparou psicologicamente, fez muitas preces antes de viajar a Berlim, comentando conosco sobre um trauma que viveu há muitos anos. Na condição de britânica nascida em 1928, como adolescente viveu os momentos terríveis da 2a Grande Guerra e os efeitos dos bombardeios aéreos praticados pelo regime nazista em Londres e outras cidades de seu país. Em maio de 1945 ela participou exultante com familiares das comemorações do final da Guerra, sendo inesquecível a cena do aparecimento do Rei Jorge VI, seus familiares e Winston Churchill, na sacada do Palácio de Buckingham. Passados mais de cinco décadas ela estava na cidade que havia simbolizado o grande risco ao seu país. Agora como espírita, rendia graças a Deus porque ela vinha a Berlim superando as cismas do passado, em paz e em tarefa de apoio ao movimento espírita.1 Desdobraram-se outros encontros com Janet juntamente com nossa esposa Célia e a visitamos em várias oportunidades.Extrapolando a formalidade britânica, fomos convidados duas vezes para o tradicional chá em sua residência. Até ela nos relatou sobre ramo escocês de sua família e mostrou-nos fotos antigas, e, também comentou sobre as transformações do bairro tradicional em que residia em Londres, após a chagada de imigrantes. Em abril de 2005, juntamente com Nestor Masotti, desenvolvemos um seminário e acompanhamos em Londres a reunião em que se definia a alteração da entidade representativa do Reino Unido junto ao CEI. Desde a fundação do CEI, o Reino Unido foi representado pelo Allan Kardec StudyGroup, fundado e representado pela pioneira Janet Duncan. Com o aparecimento de novos centros e a fundação da British Union ofSpiritistSocieties(BUSS) a definição interna para a alteração da representação britânica junto ao CEI aconteceu em reunião que presenciamos naquela oportunidade. Ocorreram outros eventos em Londres e diversos países onde nos encontramos com Janet.3 Mesmo não mais representando o Reino Unido Janet Duncan prosseguiu em atividades no Allan Kardec StudyGroupe no início de 2020 teve editado pelo British Union ofSpiritistSocieties, sua tradução para o inglês da obra O evangelho segundo o espiritismo. Com respeito e admiração tivemos amizade com Janet Duncan. Por ocasião de sua desencarnação em Londres no dia 07/01/2026, Janet deixa um legado de muitos esforços, renúncias e dedicação ao movimento espírita: autêntica pioneira do espiritismo no Reino Unido! Referências: 1) Carvalho, Antonio Cesar Perri; Kempf, Charles; Rossi. Elsa. Movimento espírita internacional. Origens, ideais e experiências. São Paulo: CCDPE-SP. 2025. 246p. 2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Anotações de viagem. Revista internacional de espiritismo. Dezembro de 1973, p.327-330. 3) Carvalho, Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Araçatuba: Cocriação. 2021. 632p. DE: https://grupochicoxavier.com.br/a-pioneira-espirita-britanica-janet-duncan/
Janet Duncan
Janet em visitas de Perri
(Recebido em emails de Antonio Cesar Perri de Carvalho [[email protected]] e do GEECX) |
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Correio Espírita - Jornal de janeiro de 2026 |
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Jornal Momento Espírita. Centro Espírita Amor e Caridade. Bauru, SP. Acesse abaixo |
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Edição 125 da Folha Espírita Francisco Caixeta Araxá, MG. Acesse abaixo: |
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ACESSE AQUI: http://www.espiritacaixeta.org.br/folha/Fol125.pdf
(Informação de Folha Espírita Francisco Caixeta [[email protected]]) |
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[905-JornalMundoMaior] FELIZ ANO NOVO. |
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FELIZ ANO NOVO. Neste ano, que apenas esboça a sua presença, que está amanhecendo agora, nos ofertando o céu azul de novas possibilidades de progresso e crescimento, agradeçamos a Deus.
Agradeçamos pela vida, pela saúde, pelo lar, pelos familiares, pelos amigos. Pelo que tivermos. Mesmo que seja somente a presença dedicada de um cão.
Novo ano. Tempo de agradecer. Tempo de começar a executar o nosso novo plano de vida.
Um plano que nos diga que, a partir de agora, colocaremos em prática a nossa mais especial qualidade: Ser humano.
Humano, de humanidade, de amante da paz, da fraterna convivência, do auxílio solidário.
Que a era da humildade e da renúncia se instale na Terra em definitivo. O tempo é agora. E a decisão é sua, é nossa.
Que olhemos para o mundo e enxerguemos irmãos nossos em todas as terras.
Que as dificuldades de relacionamento recebam a brisa suave da compreensão e do perdão.
Recordemos o verdadeiro objetivo de nossas existências:- Aprender a amar e amar cada vez melhor.
Jesus amou sem limites e ainda permanece no leme do planeta em transformação. ANO NOVO!! NOVO ANO !! SEJAMOS FELIZES.
Se você gostou, repasse. Ou escreva para [email protected], faça sua sugestão ou crítica ou assinale ( )apagar meu endereço.
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Editorial e Novo artigo publicado no JEE |
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Caros Leitores do Jornal de Estudos Espíritas (JEE), - O JEE acaba de publicar o artigo "Análise crítica da edição brasileira da obra Socialismo e Espiritismo, publicada pela Casa Editora O Clarim", de autoria de Marco Milani. O artigo analisa a tradução para o português da obra acima, capítulo por capítulo, visando esclarecer as diferenças para o original em francês. Em particular, o artigo adentra a importante e delicadíssima questão do pensamento político de Denis, mostrando que a versão em português não é 100% fiel ao pensamento dele. E o artigo faz isso de um modo bem fraterno, com total respeito à liberdade de pensamento dos Leitores. O objetivo do artigo é mostrar o pensamento original de Leon Denis que, por sua vez, demonstra afinidade com a Doutrina Espírita. - Se o assunto te interessou, o link para o acesso gratuito ao artigo é: https://doi.org/10.22568/jee.v14.artn.010201 - O artigo pode ser lido no browser ou baixado para o seu computador, celular ou tablet (clique em PDF na janela que se abrir). Embora o acesso seja gratuito, os direitos autorais são do autor. Portanto, qualquer reprodução, em parte ou em todo, requer sua autorização. - Se gostar do artigo ajude a divulgar; se o artigo for útil à suas pesquisas, cite-o. - Como citar: M. Milani, Jornal de Estudos
Espíritas 14, 010201 (2026). DOI: 10.22568/jee.v14.artn.010201. - O JEE também publicou seu editorial 2026 analisando o tema "elitismo" em torno de estudos e pesquisas espíritas. O link de acesso, igualmente gratuito, é: https://doi.org/10.22568/jee.v14.artn.010101 - Se tiver interesse ou souber de quem tem interesse em receber notícias sobre novas publicações do JEE, envie ou peça ao interessado enviar um e-mail para [email protected] solicitando cadastro do seu e-mail. Se, igualmente, não desejar mais receber mensagens e notícias do JEE, por favor, responda a este e-mail solicitando remoção do seu endereço. Não é necessário justificar. - O JEE é um periódico dedicado à publicação de artigos de pesquisa espíritas, sérios, científicos e/ou filosóficos, que valorizam Kardec e a Doutrina Espírita como teoria capaz de descrever e explicar os fenômenos psíquicos. Se um artigo é aceito para publicação no JEE, mesmo sobre assunto controverso, o Leitor pode confiar que o conteúdo não é apenas interessante ou sensato, mas principalmente bem fundamentado na Doutrina. - Excelentes estudos a todos! Alexandre Fontes da Fonseca
-- Editor - Jornal de Estudos Espíritas https://sites.google.com/site/jeespiritas/ ISSN: 2525-8753
(Recebido em email de Jornal de Estudos Espíritas [[email protected]]) |
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CORREIO FRATERNO NOVEMBRO/DEZEMBRO 2025 |
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(Recebido em email de Izabel Vitusso [[email protected]]) |
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A compaixão pela multidão, e outros destaques da RIE de dezembro. Acesse abaixo: |
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CLIQUE AQUI: https://assinaturas.oclarim.com.br/revistas/rie-dezembro-2025/
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Casa Editora O Clarim Acesse abaixo: |
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ACESSE:
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Jornal AGENDA CRISTÃ - Rancharia (SP) - Novembro.2025 |
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(Recebido em email de Francisco Atilio Arcoleze [[email protected]]) |
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Site da Federação Espírita Brasileira Brasília, DF |
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Você sabia? / Obsessão, enfermidade psíquica Clique aqui: https://www.febnet.org.br/portal/2026/01/07/voce-sabia-obsessao-enfermidade-psiquica/
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FEP- Federação Espírita do Paraná Curitiba |
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FEA- Federação Espírita Amazonense Manaus |
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Clique aqui: https://www.facebook.com/feamazonas/?locale=pt_BR
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FER- Federação Espírita Roraimense Boa Vista |
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Abrigo Ismael Araçatuba, SP |
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Reflexão, extraída do livro “Richard Simonetti – O Pensamento” - Vol 1 |
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Reflexão, extraída do livro “Richard Simonetti - O Pensamento” - Vol.1 Organizado por Álvaro Pinto de Arruda. https://www.editoraceac.com.br/loja/produto/o-pensamento WhatsApp- Editora 14 99164-6875
(Recebido em email de Tânia Simonetti [[email protected]]) |
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Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier Boletim semanal – Ano XI. 1a semana de Janeirode 2026 |
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Recordações de datas marcantes; Entrevistas sobre o livro Movimento Espírita Internacional; Carta de Ano Novo; Sob a tempestade
Artigo: - Recordações de datas marcantes: https://grupochicoxavier.com.br/recordacoes-de-datas-marcantes/ - Entrevistas sobre o livro Movimento Espírita Internacional: https://grupochicoxavier.com.br/entrevistas-sobre-o-livro-movimento-espirita-internacional/ - USE-SP:https://www.youtube.com/live/n6EVKDoRvhk?si=xi7_CXdHMA8YVyZX - Espiritismo em Kardec: https://www.youtube.com/watch?v=8oqHEXQQgfI&t=1s - Blog Bruno Tavares: https://www.youtube.com/watch?v=CJG3bx3C-f8&t=10s
Mensagens: - Carta de Ano Novo: https://grupochicoxavier.com.br/carta-de-ano-novo-11/
- Sob a tempestade: https://grupochicoxavier.com.br/sob-a-tempestade/
o0o
“Ninguém espera sejamos remédio a toda angústia e rio a toda sede, entretanto, à frente da sombra e da secura que atormentam os homens, cada um de nós pode ser a consolação do raio de luz e a bênção do copo d’água” – Emmanuel.
(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Livro da esperança. Cap. Em favor da alegria. FEB)
o0o Com fraternal abraço, Equipe GEECX
(Recebido em emails de Antonio Cesar Perri de Carvalho [[email protected]] e do GEECX) |
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O Consolador. Revista Semanal de Divulgação Espírita Londrina, PR. Acesse abaixo: |
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CLIQUE AQUI: http://www.oconsolador.com.br/ano19/955/principal.html
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A mediunidade na Bíblia e entre os apóstolos Dons espirituais e Espírito Santo |
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Publicado em O Tempo/Colunas Belo Horizonte, MG Obra de: José Reis Chaves
José Reis Chaves Foto de Ismael Gobbo
Tanto a expressão “dons espirituais” como “Espírito Santo” não aparecem nos textos bíblicos originais, declara o reverendo Haraldur Nielsson, teólogo e tradutor da Bíblia, dos originais dela em hebraico e grego para o islandês, atendendo pedido da Sociedade Bíblica Inglesa. E os termos da Vulgata Latina “spiritum bonum” de são Jerônimo correspondem exatamente aos dos originais gregos. A Vulgata, no Novo Testamento, não fala absolutamente em Espírito Santo. E no Velho só se fala em espírito e espírito de Deus. Dons espirituaisQuanto aos dons espirituais, a situação é a mesma. Essa expressão só aparece nos textos paulinos, com a palavra grega charismata, que significa literalmente mediunidade, ou seja, o dom de ser intermediário entre os espíritos e os homens. São muito importantes os estudos do reverendo Nielsson, pastor e professor de Teologia na Faculdade de Teologia da Universidade de Reykjavik, é o que demonstra o seu livro “Espiritismo e a Igreja”, que foi logo traduzido para o dinamarquês (original), inglês, francês, espanhol e português (1935). Nielsson nos mostra que a palavra transe vem de êxtase na Bíblia. ApóstolosEis uma das suas afirmações: “O próprio Paulo e Pedro nos dizem que estavam frequentemente em transe”. Também João nos adverte para só acreditarmos em espíritos bons (1 João 4:1). Paulo, igualmente, adverte-nos dizendo que “ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz anátema contra Jesus...” (l Coríntios, 12:3). E com o devido respeito, nós dizemos que, nos textos bíblicos citados, não se fala nada do Espírito Santo trinitário, somente criado no Concílio Ecumênico de 381, em Constantinopla. A mediunidade era usada entre os judeus e entre os cristãos primitivos, e Nielsson acentua textualmente: “segundo a concepção dos tempos apostólicos, os espíritos podiam ser bons ou maus, muito evoluídos ou inferiores e atrasados”. Isto explica as advertências apostólicas, pois nas assembleias cristãs manifestavam-se também os maus espíritos, amaldiçoando o Cristo para defenderem o judaísmo ortodoxo ou mesmo as religiões politeístas, que também usavam a mediunidade. Ataques ao espiritismoVemos assim como são inúteis os ataques ao espiritismo em nome da Bíblia, que é um livro mediúnico, e como os espiritistas e o espiritismo nada têm a temer da Bíblia. É preciso apenas mostrar a verdade sobre a Bíblia, separar o que há nela de humano e divino, não a aceitar de olhos fechados, dogmaticamente, como “a palavra de Deus”, o que é simples absurdo proveniente de épocas de fanatismo. A Bíblia é muito valiosa para os espiritistas estudiosos, porque é o maior e mais vigoroso testemunho da verdade espírita na Antiguidade. (*) Com este colunista, “Presença Espírita na Bíblia”, na TV Mundo Maior, palestras e entrevistas em TVs e vídeos no YouTube e Facebook. Seus livros estão na Amazon, inclusive os em inglês. E a tradução da Bíblia (NT). Cássia e Cléia. [email protected]
(Recebido em email de Jose Reis Chaves [[email protected]] Copiado de: |
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São Pedro e São Paulo. Pintura de El Grego exposta no Museu Nacional de Arte da Catalunha. Barcelona, Espanha. Foto Ismael Gobbo. |
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Republicando em homenagem a Doutora Marlene Nobre. (18-06-1937 – 05-01-2015) |
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FOCALIZANDO O TRABALHADOR ESPÍRITA MARLENE ROSSI SEVERINO NOBRE |
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DRA. MARLENE NOBRE |
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A entrevistada Dra Marlene Rossi Severino Nobre é médica, presidente da AME- Associação Médico Espírita do Brasil e também da AME Internacional. É a diretora do jornal Folha Espírita, de São Paulo, capital. Dra. Marlene é viúva do grande jornalista Dr. José Freitas Nobre que como Deputado Federal foi um dos mais respeitados parlamentares do país. Com larga folha de trabalho Dra Marlene continua firme e forte na sua faina de divulgar a Doutrina Espírita pelo Brasil e pelo mundo. É atualmente um dos mais destacados nomes do movimento espírita internacional.
ISMAEL GOBBO. Caríssima doutora Marlene, poderia nos fazer sua auto apresentação?
MARLENE NOBRE Sou Marlene Rossi Severino Nobre. Nasci em Severínia, interior do Estado de S. Paulo, em 1937, filha de pais espíritas - Pedro Severino Júnior e Ida Rossi Severino - desde solteiros, já comprometidos com a Causa Espírita. Eles não se casaram na Igreja Católica; reuniram os amigos no Centro Espírita, no dia da bodas, para os abraços de confraternização. Meu pai era de Monte Azul Paulista e minha mãe de Monte Verde Paulista, ambos muito ligados a Cairbar Schutel – o baluarte do Espiritismo da cidade de Matão, que tanta contribuição deu e continua dando à divulgação, ao estudo e à vivência da Doutrina em nosso país e no mundo. E, hoje, segundo Chico Xavier, no outro plano da vida, é o responsável pelo livro espírita no Brasil. Minha mãe foi, aos 19 anos, ainda solteira, a mais jovem presidente de Centro Espírita do Brasil em uma Casa construída em Monte Verde pelo meu avô – Aristodemo Rossi. Meu tio Leonardo Severino, irmão de meu pai, trabalhou a vida toda em favor das obras de Matão, viajando para conseguir assinaturas do jornal O Clarim e da Revista Internacional do Espiritismo, ao lado de Giacomo Di Bernardo e de outros pioneiros do interior paulista. Ainda segundo nosso amado Chico, eu me comunicava com o sr Schutel em Matão, antes da minha reencarnação, o que se concretizou seis meses antes da desencarnação do nosso amado Bandeirante do Espiritismo. Casei-me com Freitas Nobre, em maio de 1964; tivemos dois filhos: Marcos e Marcelo. Marcos é professor de Filosofia e Ciência Política na Unicamp e Marcelo é advogado, fazendo parte, no momento, do CNJ- Conselho Nacional de Justiça. Tenho uma filha pelo coração, Marilia Oliveira Chaves, que está com 21 anos e cursa Direito. Marcelo é casado com Monica Autran Campos Machado, minha norinha, que é juíza federal. Tenho dois netinhos – Ana Luísa e João Pedro – duas estrelas a iluminar e aquecer nossas vidas.
Qual a sua trajetória acadêmica e profissional?
Sou de uma época em que o vestibular de Medicina ainda não era unificado, por isso, tendo ficado entre os dez excedentes do Vestibular de Medicina da Faculdade de Pinheiros (USP), fui para Ribeirão Preto, na esperança de tentar segunda chamada por lá, mas, em 1957, não houve, porque as vagas tinham sido todas preenchidas na mesma época em que prestei vestibular em São Paulo. Eu já me preparava para voltar para minha casa e fazer Biologia na USP, Curso para o qual eu também havia feito vestibular e passado, quando minha amiga, Maria Emilia Barboni, de Ribeirão, me deu uma sugestão, que mudaria minha vida. Com bastante ênfase, ela disse que eu deveria prestar vestibular de Medicina em Uberaba, porque o curso médico era o meu ideal e não o de biologia. Para isso, eu não deveria perder tempo, porque os exames estavam para ocorrer por aqueles dias. Se Medicina era o meu ideal – disse ela – eu deveria tentar. E foi de uma bondade inesquecível, facilitando-me em tudo, passagem de ônibus, auxílio financeiro para a pensão onde eu deveria ficar em Uberaba, além do suporte espiritual, que só as grandes almas oferecem aos amigos. Foi assim que iniciei o meu curso em Uberaba no final de fevereiro de 1957. Terminei -o em dezembro de 1962, e depois fixei residência junto aos meus pais, na Capital paulista. Fiquei de 1963 a 1967, como estagiária do Prof. Dr. José Medina, no Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas de São Paulo, depois, em 1967, estagiei nos Hospitais Broca e Boucicault, ambos em Paris, por indicação do nosso chefe e instrutor do HC. Depois, a partir de 1968, fui para o Instituto de Previdência (Inamps) onde trabalhei cerca de 30 anos na especialidade para a qual fui mais preparada, o serviço de prevenção do câncer em senhoras. Estou aposentada desde 1994, porque antes da tarefa médica eu trabalhei seis anos como funcionária do Colégio Paes Leme, em S. Paulo, de 1950 a 1956. Assumi em 1995 a presidência da Associação Médico-Espírita do Brasil, acompanhando-a desde a sua fundação até os dias de hoje. Também tomei parte na primeira Diretoria da Associação Médico-Espírita de São Paulo, fundada em 30 de março de 1968, da qual originaram-se as outras AMEs, inclusive a Brasileira.
Pelo que depreendemos de resposta anterior a senhora é uma espírita de berço...
Sim sou espírita desde o berço. Meus pais tiveram um lar muito harmonioso. Sobretudo eles nos ensinaram o amor ao Mestre Jesus e a Kardec. Não tinham ambição material. Eles nos criaram dentro dos padrões da simplicidade e sempre diziam que o único tesouro que deixariam para os oito filhos era O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, interpretado por Allan Kardec. Uma grande herança também que recebemos foi a de valorizar as amizades. Por décadas a fio, meus pais foram fiéis aos amigos, ensinando-nos que os sentimentos de amor devem sobrepujar quaisquer outros interesses. Certa vez, Chico me disse que, se eu fracassasse, eu não teria perdão, porque tive pais espíritas maravilhosos. Cada vez mais, dou razão ao Chico.
Como foi o encontro com Freitas Nobre?
Encontrei Freitas Nobre em 1962, em Uberaba, nos trabalhos da Comunhão Espírita Cristã, quando ele realizou um grande sonho: conhecer Chico Xavier. Isto foi possível graças ao incentivo de nosso grande amigo, Spartaco Ghilardi, do Grupo Espírita Batuira de São Paulo, que organizava caravanas periódicas para visitar Chico em Uberaba. Nesta mesma caravana de maio de 1962 estavam, entre outros, o dr Luiz Monteiro de Barros e Apolo Oliva Filho, amigos de longa data. Na sessão pública da qual tomaram parte, Emmanuel deu uma mensagem especial chamada Os Pacificadores que faria parte do livro de comemoração dos 100 anos de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ao final dos trabalhos, Chico nos disse que a mensagem era dirigida ao Freitas, e complementou dizendo que o Brasil penderia fortemente para a Esquerda, depois para a Direita, e que, finalmente, iria para o Centro, afirmando também que o Dr. Nobre – era assim que Chico chamava o Freitas – desempenharia um papel muito importante na pacificação do nosso país. Acredito, sinceramente, que ele tenha contribuído para isso. Em 1962, Freitas era vice-prefeito de São Paulo, governando a cidade ao lado de Prestes Maia. Antes ele havia sido vereador da Capital por várias legislaturas. Casamo-nos em maio de 1964, logo após Freitas ter deixado o cargo, já sob o jugo militar. A partir de então foram muitos os sobressaltos sempre na expectativa da cassação dos seus direitos políticos, o que nunca se concretizou, acreditamos, por interferência do plano espiritual. Desde que conheceu Chico, toda a vida política do Freitas foi direcionada pelas cartas do Dr. Bezerra de Menezes, através do médium. Por orientação dele, exilou-se voluntariamente em Paris de novembro 1966 a novembro de 1967 para fazer curso de pós-graduação em Comunicação na Sorbonne. Em 1968, em campanha de somente 40 dias, Freitas foi eleito, com enorme votação, deputado federal, tendo desenvolvido um trabalho exemplar ao longo de 4 legislaturas seguidas. Foi muito importante a sua contribuição para o MDB dos Autênticos e para a redemocratização do país.
Como foi sua experiência como esposa do político Freitas Nobre, de trajetória brilhante em São Paulo e Brasília?
Felizmente, sempre me mantive na retaguarda. Nunca participei da vida social e política de Brasília. Em 16 anos de vida parlamentar, devo ter ido à Capital do país por duas vezes somente. Poucos da esfera política me conheceram ou me conhecem. Freitas nunca desejou que nos mudássemos de São Paulo e isto veio de encontro ao meu ideal de servir à causa espírita, dentro do pouco que tenho para oferecer. Ele passava os fins de semana conosco, permanecendo mais tempo por aqui nas férias do Parlamento. Em 1963, iniciamos as tarefas de assistência aos mais carentes em Santo André e São Caetano do Sul, e, em 1966, em Diadema. Conforme instrução do Chico, fundamos o Grupo Espírita Cairbar Schutel. Freitas participou conosco dos primeiros tempos, logo depois, a partir de 1968, ele tinha que estar em Brasília.
Embora saibamos ser muito extensa poderia sintetizar sua participação no Movimento Espírita?
O Culto do Evangelho em nossa casa, feito com tanta unção por meus pais, é uma referência inesquecível na minha vida, uma vigorosa viga de sustentação de minha alma carente de Espiritualidade. Também foi um marco fundamental em minha trajetória de vida o Grupo Espírita Conceição-Carolina, do qual participei na minha adolescência na casa de meu avô Aristodemo Rossi, à rua Bela Cintra, em São Paulo, dirigido por meu pai, Pedro Severino Jr., com a participação assídua do meu irmão Paulo Rossi Severino e de alguns conhecidos e parentes, e que depois se transformaria no Grupo Espírita Cairbar Schutel. De 1957 a 1962, enquanto fiz Medicina na Faculdade Federal do Triângulo Mineiro, estive diretamente ligada ao movimento espírita em Uberaba, particularmente aos trabalhos da Comunhão Espírita Cristã (CEC), junto ao nosso Chico. Além das tarefas nas sessões públicas da CEC, dei aulas de moral cristã na Evangelização infantil do Centro Espírita Uberabense e fiz dois programas de rádio. De 1963 a 1991 estive mais ligada às tarefas do Grupo Espírita Cairbar Schutel, tanto às doutrinárias quanto às assistenciais, participando principalmente a partir de 1977 da Creche Lar do Alvorecer. Começamos com 30 crianças e hoje temos 230. Quase não fiz palestras nesse período, a não ser em nosso próprio Grupo, em algumas Casas Espíritas dirigidas por amigos e conhecidos, e em Simpósios da AME-SPaulo. Em abril de 1974, por incentivo do nosso Chico, meu marido fundou o jornal Folha Espírita, com o qual colaborei desde as primeiras horas. Em 1968, 30 de março, tivemos um marco importante com a fundação da Associação Médico-Espírita de São Paulo, da qual fui a primeira secretária. Muitos colegas, dentre os quais, Luiz Monteiro de Barros, Adroaldo Modesto Gil, Antonio Ferreira Filho, Eurico Branco Ribeiro , Maria Julia Prieto Peres, Alberto Lyra, Miguel e Luiz Dorgan, uniram-se sob a inspiração de Batuira e Bezerra de Menezes, através do médium Spartaco Ghilardi, para lançar as bases do movimento médico-espírita no Brasil. Com a desencarnação de meu marido a 19 de novembro de 1990, fui chamada, cerca de quinze dias depois, por Dr Bezerra de Menezes para a tarefa de aglutinar colegas e formar a AME-Brasil. A partir daí começou uma outra etapa na minha vida, porque fiquei mais ligada ao movimento médico-espírita, sem, no entanto, abandonar nenhuma das tarefas a que estava anteriormente vinculada.
Como surgiram as AME’s no Brasil e no exterior?
Em fevereiro de 1990, assumi a presidência da Associação Médico-Espírita de São Paulo, que atravessava naquele momento um período de muita turbulência espiritual. Chico Xavier veio em meu auxílio, por ocasião de uma das minhas visitas a Uberaba, dizendo-me para eu ter paciência, que o Dr. Bezerra iria me ajudar, porque uma falange negativa havia se postado contra a AME, tentando impedi-la de realizar importante tarefa que lhe estava reservada dentro do movimento espírita. No começo de 1990, dos nove elementos da Diretoria, ficamos reduzidos a apenas dois e a freqüência não passava de meia dúzia de colegas, se tanto. Chico foi nosso grande sustentáculo nessa fase difícil. No final de 1990, como já me referi, dia 19 de novembro, meu marido partiu, aos 68 anos, vítima de câncer. No início de dezembro, Dr Bezerra de Menezes conclamou-me para a tarefa mais ampla a que Chico se referira e que só a partir de então tomei conhecimento, a de chamar os colegas para a fundação da Associação Brasileira que aglutinaria todas as AMEs. E que eu deveria me empenhar para a fundação das AMEs nos Estados, porque era chegada a hora. Disse-me o nosso Patrono que a Associação já estava formada no coração de Jesus e que nós precisávamos materializá-la na Terra. E assim foi feito. Iniciamos, em 1991, com vistas à concretização desse projeto, o primeiro Congresso da AME-São Paulo, no Anhembi, conclamando os colegas de todos os Estados para a fundação das AMEs. No Terceiro Congresso, em 1995, dia 17 de junho, com 9 AMEs já formadas, fundamos a AME-Brasil. Estamos completando, em 2010, 15 anos de fundação com 40 AMEs em funcionamento.Além do nosso site (www.amebrasil.org.br) trabalhamos agora em nossa Revista virtual, que será lançada em comemoração aos 15 anos. Vários livros foram publicados e outros estão sendo planejados para publicação em breve. A cada dois anos temos o MEDNESP – o congresso nacional que congrega todas as AMEs. O de 2011 será em Belo Horizonte, no feriado de Corpus Christi. Em junho de 1999, com representantes de seis países – Argentina, Brasil, Colômbia, Guatemala, Panamá e Portugal – fundamos a AME-Internacional. Desde 2001, eventos são realizados com a participação dos médicos da AME que integram os diferentes países. Hoje, além das AMEs fundadoras, temos AME-EUA, AME-Cuba, AME-Suiça. E outras mais em vias de fundação.
No Brasil e no exterior como vão as atividades dessas associações? As AMEs do exterior têm procurado realizar eventos e manter sites. No Brasil, cada AME tem sua característica própria e se dedica com mais afinco a determinadas tarefas. Mas todas elas são dinâmicas e tem produzido muitos eventos, cursos, seminários, livros, visando difundir o paradigma médico-espírita. Em alguns Estados, há também parcerias muito interessantes entre os centros espíritas e as AMEs com vistas às pesquisas da Terapêutica Complementar Espírita e também em tarefas de auxílio aos irmãos carentes.
O trabalho tem sido reconhecido pela comunidade cientifica?
Já avançamos muito, mas a mudança de paradigma se faz de maneira lenta, gradual. Ela é, no entanto, inevitável. A construção da Espiritualidade na Medicina veio para ficar. Aos poucos, os preconceitos vão sendo vencidos e os novos conceitos passam a ser incorporados pela maioria das instituições de saúde, beneficiando em muito a vida no planeta. Mas é preciso paciência. E, sobretudo, tolerância e compreensão, porque, como dizia Einstein, é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito.
De que forma tem se organizado para dar conta de tantas atividades?
Tenho dois filhos maravilhosos, que respeitam o meu ideal de vida. E o mesmo posso dizer da minha norinha e dos meus netos. O nosso entendimento familiar me permite, hoje, ampla liberdade de agir. Aliás, sempre usufruí de liberdade, desde que meu marido estava entre nós, mas com a sua desencarnação, em 1990, e a emancipação de meus filhos, é natural que eu tenha muito mais tempo hoje para dedicar-me ao que considero meu ideal de vida. De 1963 a 1990 dediquei-me inteiramente ao exercício da Medicina, à minha família e às atividades do Grupo Espírita Cairbar Schutel (GECS), tanto em Diadema como em São Paulo, Nesse mesmo período, estive envolvida com as tarefas da Associação Médico-Espírita de São Paulo e as da Folha Espírita, mas nestas duas instituições, até 1990, minhas obrigações eram menores. A partir da desencarnação do meu marido, em 1990, passei a ser inteiramente responsável pela Folha Espírita, até que em 2004 um grupo de companheiros do GECS, de grande garra e competência, assumiu comigo o ideal do nosso jornal. Também foi a partir de 1990 que fui chamada pela Espiritualidade, em particular pelo Dr. Bezerra de Menezes, para a formação da AME-Brasil, o que veio a se tornar realidade em 1995. Em 2000, o Dr. Sergio Felipe de Oliveira assumiu a AME-São Paulo, e, em 2006, foi a vez do colega Rodrigo Bassi, que a tem dirigido com grande competência, desde então. Tudo se tornou bem mais amplo para mim a partir de 1999 com a fundação da AME-Internacional e as idas freqüentes ao exterior, desde 2.001. Tento me organizar para prosseguir com as tarefas do GECS, do Lar do Alvorecer, da Folha Espírita, da AME-Brasil e Internacional. E também cumprir a minha parte nos programas da rádio Boa Nova – Diálogos Médicos – e da TV, Portal de Luz. Como é natural, só posso dirigir essas instituições com a contribuição da comunicação cibernética. Tenho de dar conta de dezenas de e-mails por dia, entrevistas, gravações semanais, e tudo isso costurado com as minhas freqüentes viagens de divulgação do ideal médico-espírita. Para isso, não tiro férias, trabalho muito nos feriados, e raramente tenho outra atividade que não seja doutrinária. Não creio, no entanto, que esteja fazendo algo que me distinga dos demais companheiros de ideal espírita, sinceramente, acho que faço pouco; deveria me empenhar mais. Sempre gostei de trabalhar e agora me sinto muito feliz, porque estou ligada ao que realmente gosto de fazer.
Como tem sido a aceitação do trabalho da AME no exterior?
Creio que a linguagem médico-espírita está mais voltada ao braço científico da Doutrina, por isso tem sido bem aceita por nossos irmãos do exterior. Todos nós sabemos a dificuldade que é divulgar o Espiritismo em outros países, e isto se dá principalmente porque não há aceitação do movimento da forma como é organizado no Brasil. Temos de compreender que são culturas diferentes. Os europeus, por exemplo, tem desgostos profundos com seitas e religiões, por isso são arredios a quaisquer apelos nesse sentido. E, infelizmente, incluíram também nessa rejeição as lições do Cristo, daí a dificuldade de aceitar o modo brasileiro de viver o Espiritismo. Eles não gostam de pregação no velho estilo, daquele que lhes pareçam lavagem cerebral, imposição de idéias sem discussão. O modo como os médicos das AMEs apresentam as palestras tem agradado, porque primeiramente nós levamos a argumentação científica, chamando à razão, e depois tiramos a conclusão religiosa. Há também um gosto apurado para pesquisas e estas são muito diferentes das que foram realizadas no século XIX. E é justamente nelas que as nossas AMES tem procurado se esmerar. Nós temos de compreender que a cultura brasileira não é assimilada por eles, é muito diferente. Se levarmos isto em consideração o sucesso da Doutrina será bem maior, porque a fé raciocinada é algo imperativo para as outras culturas. E nós devemos fazer de tudo para respeitar.
Quais as atividades programadas para 2010?
Iniciamos com a comemoração dos 100 anos de Chico, em Lisboa, no dia 2 de abril, em parceria com o Grupo Espírita Batuira, de Algés. Dias 29 e 30 de maio teremos as Vas Jornadas de Medicina e Espiritualidade em Lisboa, dias 5 e 6 de junho, o 3º. Congresso Francofônico em Liège, Bélgica, e dias 11,12, 13 de junho, o 3º. Congresso de Medicina e Espiritualidade dos EUA, em Washington. No segundo semestre: 29 e 30/10 em Amsterdam, I Congresso de Medicina e Espiritualidade da Holanda, dias 6 e 7 de novembro, o III Congresso de Medicina e Espiritualidade da Suíça, e dias 13 e 14 de novembro, em Bonn, teremos o III Congresso Alemão.
E o dia-dia da senhora na Casa Espírita?
Sempre que estou em São Paulo, procuro estar presente às nossas atividades no Grupo Espírita Cairbar Schutel. Faço atendimento fraterno às segundas-feiras, breve explanação de textos de O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos, como aprendi com o Chico em Uberaba. Há também neste dia o trabalho de psicografia; às terças-feiras temos cursos, às quartas-feiras desobsessão, e às quintas cursos. Outros irmãos e irmãs de ideal auxiliam também com outras atividades nos mesmos dias e nos demais dias da semana. Só não temos tarefas na Casa aos domingos. Neste ano, completo 50 anos de exercício das faculdades mediúnicas de psicofonia e psicografia, mas na minha cabeça parece que iniciei ontem .
Poderia nos falar de sua convivência com Chico Xavier?
Conheci Chico em outubro de 1958, às vésperas da sua mudança para Uberaba, o que veio a ocorrer em janeiro de 1959. Ele pediu ao meu colega de Faculdade, Waldo Vieira, que me levasse até ele, porque precisava conversar comigo. Durante a entrevista, como não o conhecia, apenas havia lido suas obras, fiquei muito admirada com o convite que me fez, o de trabalhar com ele nas sessões públicas da Comunhão Espírita Cristã, a partir de janeiro, quando ele já estivesse instalado definitivamente em Uberaba. E foi o que aconteceu. Durante cerca de quatro anos, de janeiro de 1959 a dezembro de 1962, trabalhei com ele, dando minha pequena parcela de contribuição na interpretação dos textos de O Livro dos Espíritos e de O Evangelho Segundo o Espiritismo, obras que eram estudadas nos dias de sessão pública. Neste encontro, em 1958, ele me deu detalhes de um trabalho assistencial que fazíamos, às quartas-feiras, nos arredores do bairro da Abadia em Uberaba. Éramos um pequeno grupo – Ligia Alonso Andrade, “seu” Lázaro, de saudosa memória, que segurava o lampião no ombro para nos iluminar, porque na parte do bairro que visitávamos não havia luz elétrica, e mais um ou dois companheiros esporádicos. Como não conhecia bem de perto a mediunidade de Chico, fiquei espantada com os detalhes que ele me deu da nossa peregrinação das quartas-feiras. Ele só podia ter acompanhado em espírito para saber de tanta coisa. Mesmo tendo me mudado para São Paulo, em 1963, nossa amizade permaneceu sempre a mesma, até a sua desencarnação, em 2002. Como somos imortais, com certeza perdurará por toda a eternidade. Guardo deste período da minha vida, as mais gratas lembranças. Fui profundamente marcada por sua bondade, por sua humildade genuína. Por isso mesmo, reconheço a enorme distância que nos separa do ponto de vista espiritual e a grande responsabilidade que assumi por ter trabalhado com ele e tomado conhecimento de sua obra. Qual a dimensão que enxerga na obra psicográfica de Chico Xavier no contexto da Doutrina Espírita?
A produção psicográfica de Chico Xavier ampliou os ensinamentos de Allan Kardec, acrescentando as revelações que não poderiam ser feitas no século XIX. Com Emmanuel, nós temos os desdobramentos das lições abordadas pelo Mestre Jesus e Seus Discípulos, comentadas pelo Codificador no importante livro de sua autoria - O Evangelho Segundo o Espiritismo -, obra monumental que se constitui em uma estaca profunda na construção do edifício do Reino dos Céus na Terra. Como Emmanuel fez parte da plêiade de espíritos que trabalhou à época de Kardec, ele continuou no século XX a analisar os ensinamentos evangélicos e trouxe também algo muito importante - revelações no campo da ciência. Apenas para citar, veja-se o quanto há de ciência nos livros Pensamento e Vida e A Caminho da Luz. André Luiz devassou o mundo espiritual. Trouxe os desdobramentos já antevistos por Kardec no livro O Céu e o Inferno e na coleção da Revista Espírita com os inúmeros depoimentos de desencarnados, que ele colecionou em sua pesquisa criteriosa, aplicada no século XIX. Junto com as informações sobre a vida no além, André Luiz trouxe também as inúmeras revelações científicas que estão sendo comprovadas depois de décadas de informação. Os livros de sua coletânea trazem revelações científicas importantes quanto à natureza da luz e de sua participação na formação dos corpos físicos e sutis; informa sobre o funcionamento das células e dentro delas o papel das mitocôndrias; do mesmo modo expõe o papel neuroendócrino da glândula pineal; traz indicações importantes quanto ao funcionamento do nosso cérebro; desvenda a ação da mente – pensamentos e sentimentos – sobre o nosso organismo; o modo como a mente pode atuar sobre o genoma e modificar a conta do nosso destino para o bem ou para o mal; elucida a evolução do ser humano em dois mundos – o material e o espiritual – ao longo de bilhões de anos, etc, etc. A revelação espiritual tanto na obra de Kardec quanto na de Chico Xavier – Emmanuel é dedicada ao ser humano integral. Em ambas a ciência vem imbricada à fé. Não há como separar. Assim, encontramos as revelações científicas nas obras de André Luiz, integradas, perfeitamente, às descrições das paisagens e vivências no mundo espiritual. Há muitas revelações científicas a serem estudadas nesta obra magnífica. Muitas delas feitas há 50 ou 60 anos, mas que somente agora a ciência está comprovando, através de pesquisas. E há muitas mais a serem constatadas, conforme vem investigando os membros das Associações Médico-Espíritas do Brasil.
A AME tem alguma programação alusiva à comemoração do Centenário de Nascimento de Chico Xavier?
Já tivemos a primeira comemoração nos dias 2 e 3 de abril, em Lisboa, dois dias inteiramente dedicados às lembranças de Chico e de Isabel de Aragão, sua protetora. O programa Portal de Luz nas 4 edições de abril também foi inteiramente dedicado a Chico. O mesmo fizemos – Dr Marco Antonio Palmieri e eu mesma - nos programas da Radio Boa Nova – Diálogos Médicos, durante o mês de abril. O III Congresso de Medicina e Espiritualidade de Alagoas, que se realizará em Maceió, de 14 a 16 de maio, sob a direção de Ricardo Santos, nosso colega, presidente da AME-Alagoas, será inteiramente dedicado ao Centenário de Nascimento de Chico Xavier. Assim também, teremos em S.Paulo, nos dias 4 e 5 de dezembro, as Jornadas de Medicina e Espiritualidade da AME-SPaulo, em homenagem ao querido Chico.
ISMAEL GOBBO . Algo mais que queira acrescentar?
MARLENE NOBRE. Gostaria de dizer que relutei muito em abrir o coração e responder tantas perguntas sobre mim mesma, porque estou muito longe de merecer o carinho e a confiança dos amigos da seara espírita. Somente me decidi, quando me fixei no título da entrevista: Trabalhador Espírita. Sim, isto eu quero ser. Não vejo em mim nenhum mérito, mas há algo que eu luto por alcançar, ser servidora do Mestre Jesus e de Kardec, dentro do pouco que posso oferecer. Agradeço a paciência dos que leram os meus singelos arrazoados até aqui. Que Jesus, nosso Mestre de Amor e Bondade, a todos nos ilumine e abençoe. |
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FOTOS: CONGRESSO MEDICINA E ESPIRITUALIDADE EM BONN, ALEMANHA, 2008; A PARTIR DA ESQUERDA FERNANDA MARINHO GOBEL, DRA MARLENE NOBRE E ELSA ROSSI, BONN, ALEMANHA, 2008; VISITA À CASA DE BEETHOVEN, EM 2008, COM PARTICIPANTES DO CONGRESSO; PALESTRA NO I ENCONTRO DOS AMIGOS DE CHICO XAVIER, EM UBERABA, 2008; EM PEIRÓPOLIS POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO DO FILME DE EURIPEDES BARSANULFO; COM HEIGORINA CUNHA, EM SACRAMENTO; DR. FREITAS NOBRE, PRIMEIRO A DIREITA, PARTICIPANDO DO I SIMPÓSIO JURIDICO ESPÍRITA, NA OAB-SP, PRESIDIDO POR DRA. MARILIA DE CASTRO , NO CENTRO (FOTO ACERVO MARILIA DE CASTRO). FREITAS NOBRE E MARLENE NOBRE NA CAMPANHA DO PRÊMIO NOBEL DA PAZ PARA CHICO XAVIER; CHICO XAVIER E MARLENE NOBRE; FREITAS NOBRE, CHICO XAVIER E MARLENE NOBRE (FOTOS MARLENE NOBRE); FOTOS DA ALEMANHA, FERNANDA MARINHO GOBEL; AS DEMAIS FOTOS NO BRASIL ISMAEL GOBBO. |
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Doutora Marlene Nobre e Nestor Masotti no Anhembi, em São Paulo, na data em que foi exibida a avant première do filme “ Nosso Lar”. 12-08-2010. Foto Ismael Gobbo |
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HOMENAGEM
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Mário Soares Ferreira |
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Mário Soares Ferreira Imagem do livro Obra de Vultos, volume 2.
Biografia elaborada Filho de Paulino Soares e D. Francisca Ferreira Leite, nasceu Mário Soares Ferreira em Ribeirão Preto-SP, no dia 18 de julho de 1902. Naquela cidade, antes de completar dezoito anos, conheceu o Espiritismo, opção religiosa que não agradou à família e, devido a isso, saiu de casa para morar em uma pensão. Em Ribeirão Preto, iniciou-se na profissão de telegrafista, na Estrada de Ferro que servia a cidade, profissão que continuaria a exercer na estação ferroviária de Taquaritinga-SP, para onde se mudou em 1934. Casou-se com Jandyra Ferreira em 27 de maio de 1924; tiveram doze filhos, dos quais sobreviveram nove: Sylvia, Angelo, Nair, Aida, Dulce (já falecida), Renato, Clara, Paulino e Francisco. A partir de 1943, tendo deixado a ferrovia, passou a trabalhar na oficina de venda e conserto de rádios do filho Ângelo Soares Ferreira, quando teve oportunidade de viajar por toda região araraquarense e também pela Noroeste, vendendo rádios e prestando serviços de assistência técnica. Foi numa dessas viagens que Mário conheceu a cidade de Araçatuba, para onde se mudou com a família no ano de 1952, continuando no mesmo ramo de atividade, através da empresa Radioara, uma das mais tradicionais da cidade, na companhia dos filhos Ângelo e Renato. Muito inteligente, além dos rádios, que eram as vedetes da época, trabalhava na instalação de moinhos a vento pelas fazendas da região, com a finalidade de produção de energia elétrica para uso das propriedades. Inventou diversos equipamentos e utensílios, alguns dos quais chegou a patentear, como foi o caso dos amortecedores para os saltos de sapato, através do uso de molas, método que se aperfeiçoou e é atualmente utilizado na fabricação de sofisticados tênis.
A Vida Espírita Mário Soares Ferreira foi uma figura muito querida no movimento espírita de Araçatuba. Iniciando-se na doutrina ainda moço, em Ribeirão Preto, presidiu um Centro Espírita em Taquaritinga e participou de eventos na cidade de Matão, terra de Cairbar Schutel.. Em Araçatuba, freqüentou com assiduidade e por muitos anos a Aliança Espírita “Varas da Videira”; onde foi eleito vice-presidente, na assembléia de 12 de novembro de 1954, ao lado de Francisco Martins Filho, presidente; Sálvio Costa, primeiro-secretário; João Antônio, segundo-secretário; e Miguel Noce, tesoureiro. Participou de trabalhos no Centro Espírita “Bezerra de Menezes”; Grupo Espírita Pagan, depois Grupo Espírita da Fraternidade; de várias Concentrações e Encontros, além de ir com freqüência às reuniões administrativas da UME - União Municipal Espírita e do CRE - Conselho Regional Espírita. Era bastante ativo tanto no movimento de mocidades como nos trabalhos doutrinários e mediúnicos. Muito espirituoso, falava bem e tinha como marca registrada exteriorizar, sem rodeios, sua opinião abalizada sobre os temas propostos, sempre com muita calma e serenidade, além de proferir belíssimas preces carregadas de sensibilidade e doçura. Era médium intuitivo e dotado da clarividência e da premonição, faculdades que lhe permitiram ser um bom orientador das pessoas que o procuravam, ofertando-lhes não só preciosas palavras de consolo e esclarecimento, como sinceras e oportunas advertências quando via o consulente diante de algum perigo. Conta-nos Aida, sua filha, que, sobre os dons mediúnicos de Mário, muitos foram os episódios que tiveram desfechos coincidentes com aquilo que ele relatara por antecipação. Um deles foi a respeito da visão de Mário, quando residia em Taquaritinga, da queda mortal que seu pai teve do coche de aluguel que possuía em Ribeirão Preto, fato que se consumou e foi relatado momentos antes à esposa Jandyra. Renato, outro filho, relembra que Sr. Mário, em suas costumeiras tiradas, dizia que não se podia passar dos oitenta. Os familiares achavam que ele se referia à velocidade limite dos carros, à época restringidas àquele número. Mas era uma premonição de seu passamento, que se deu efetivamente aos oitenta anos. Na véspera de sua desencarnação, pede aos familiares para que avisassem Renato de que não mais seria preciso ir a Presidente Prudente, onde se submetia às consultas das vistas, pois ele já estava enxergando, numa clara evidência de que podia vislumbrar as cenas da Pátria Espiritual, na qual ingressaria no dia 2 de janeiro de 1983. Na manhã do derradeiro dia na Terra, depois de ouvir o rádio, se dirigiu à dedicada colaboradora Rose, que habitualmente recolhia o aparelho, pedindo a ela que o guardasse, mas sem se esquecer de retirar-lhe as pilhas, porque ele não mais o utilizaria.
A Cegueira Resignada No ano de 1966, em conseqüência de glaucoma que se tentou debelar pela cirurgia, perdeu completamente a visão. A partir daí, guiado pelo filho Francisco, uma criatura muito querida em Araçatuba, que é conhecida carinhosamente por “Chico”, passou a vender diversos produtos, entre os quais rádios e cadeiras. A cegueira não o desanimou. Segundo nos contou a filha Aida, quando ela soube que o pai perdera a visão, ficou receosa de visitá-lo, sem saber como encarar o problema, como conversar a respeito, o que perguntar e o que responder. Mas, contrariamente ao que suspeitava, encontrou o pai sem nenhum abatimento, calmo, resignado, com muito amor pela vida e confortando a todos aqueles que o visitavam. Continuou firme em seu trabalho material e da mesma forma no movimento espírita, por último no Grupo Espírita da Fraternidade, antigo Grupo Espírita Pagan, participando das reuniões da Mocidade Espírita, aos domingos, na companhia dos filhos Chico e Clara, que, por portarem certa incapacidade, eram alvo de especial atenção por parte do Sr. Mário Soares. Passou os últimos dias de sua existência cercado pelo carinho da filha Dulce, falecida em 14 de junho de 1996, na companhia da esposa Jandyra e dos filhos “Chico”, Clara e Paulino. Mário Soares Ferreira foi uma figura carismática que deixou não apenas o seu nome, mas também os seus bons exemplos gravados na memória de todos aqueles que tiveram a satisfação de conhecê-lo e admirá-lo.
(Copiado de: http://www.universoespirita.org.br/catalogo/literatura/textos/ISMAEL%20GOBI/obras_de_vultosII/mario_soares_ferreira.htm ) |
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Mário Soares Ferreira Imagem do livro Obra de Vultos, volume 2. |
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O casal Mário e Jandyra com filhos, genro e Netos. Imagem do livro Obra de Vultos,volume 2. |
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Estação ferroviária de Taquaritinga, SP., provavelmente nos anos de 1940. Imagem copiada de http://www.estacoesferroviarias.com.br/t/taquarit.htm
O Sr. Mário Soares Ferreira residiu em Taquaritinga a partir do ano de 1934, onde, na estação ferroviária exercia a profissão de telegrafista.
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Exemplares de telégrafo com fio. No quadro da parede o código Morse. Museu da Companhia Paulista em Jundiaí, SP. Foto Ismael Gobbo
O Sr. Mário Soares Ferreira exerceu a profissão de telegrafista na Estações ferroviárias de Ribeirão Preto e Taquaritinga, SP. |
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Aliança Espírita Varas da Videira em Construção. Inicio dos anos de 1950. Imagem do livro Obra de Vultos, volume 1.
O Sr, Mário Soares Ferreira teve grande participação na Aliança Espírita “Varas da Videira”, em Araçatuba, SP. |
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Reunião com crianças, evangelizadores e dirigentes na Aliança Espírita Varas da Videira no inicio dos anos de 1950. Imagem do livro Obra de Vultos, volume 2.
O Sr, Mário Soares Ferreira teve grande participação na Aliança Espírita “Varas da Videira”, em Araçatuba, SP. |
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Luiz da Costa Porto Carreiro Neto (Texto em Esperanto)(07-01-1895 / 21-07-1964 |
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Porto Carreiro Neto.Imagem copiada de https://eo.wikipedia.org/wiki/Dosiero:Porto_Carreiro_Neto.jpg
Luiz da Costa PORTO CARREIRO Neto (porhtŭ karhejrŭ netŭ), brazilano, d-ro, Inĝeniero, docento kaj asistanto ĉe la Politeknika Lernejo de Rio-de-Ĵanejro. Unu el plej grandaj mediumoj de Brazilo, sekvanto de Francisko Valdomiro Lorenz kaj kunulo de Francisco Cândido Xavier. Naskiĝis en la 7-a de januaro 1895 en Recifo, Pernambuko kaj mortis en Rio-de-Ĵanejro je la 10-a horo en la 21-a de julio 1964. Du tagojn post sia morto, li manifestiĝis en spiritisma seanco. Li estis direktoro de Kemia Instituto de Politeknika Lernejo de 1937 ĝis 1946. Ĝenerala sekretario de BEL kaj vicprezidanto de BKE, vicĉefdelegito de UEA, Lingva komitatano. Dumviva membro de Brazila Spiritisma Federacio. Delegito de Pernambuko en Spiritisma Nacia Federacia Konsilantaro. Ano de Brazila Societo de Germana Kulturo kaj honora membro de Brazila Instituto de Geografio. Ĉampiono de ŝako, li estis specialisto en artaj finaĵoj. Publikigis de 1932 ĝis 1934 artikolaron en revuo "Xadrez Brasileiro" (Brazila Ŝako). En San-Paŭlo estas strato kun lia nomo.
LEIA MAIS: https://eo.wikipedia.org/wiki/Luiz_da_Costa_Porto_Carreiro_Neto
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Luís da Costa Porto Carreiro Neto 07-01-1895 / 21-07-1964) |
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Porto Carreiro Neto.Imagem copiada de https://eo.wikipedia.org/wiki/Dosiero:Porto_Carreiro_Neto.jpg
Às 10 horas da manhã de 21 de julho de 1964, desencarnou repentinamente, vítima de espasmo cerebral, o nosso culto e operoso irmão Professor Dr. Luís da Costa Porto Carreiro Neto.
Os leitores de Reformador, conhecem o médium psicógrafo que sempre aparece em nossas colunas como mediador de poetas do Grande invisível; muitos lhe terão lido o interessante livro Ciência Divina, do Espírito de Jaime Braga. Não poucos hão de ter notado que Porto Carreiro Neto foi continuador da obra iniciada por Francisco Valdomiro Lorenz, pois que prosseguiu em Reformador, a seção de versos doutrinários recebidos diretamente em Esperanto, seção essa criada pelos nossos Maiores da Espiritualidade, em julho de 1943, pela mão do médium Francisco Valdomiro Lorenz.
Pôrto Carreiro Neto nasceu no Recife, Pernambuco, aos 7 de janeiro de 1895.
Foi criado por uma tia e madrinha, pois que sua genitora faleceu, deixando-o em tenra infância.
Casou-se em 7 de janeiro de 1920, data de seu vigésimo quinto aniversário, enviuvando a 13 de junho de 1958, sem ter deixado descendentes.
Era filho do Professor Carlos Pôrto Carreiro, grande filósofo, lingüista e poeta, a quem devemos excelente gramática portuguesa e obras de arte imortais, como a sua tradução da obra prima de Edmond Rostand, CYRANO DE BERGERAC, tradução em lindos versos, reputados pela crítica como mais belos que os originais. Em seu tempo, a língua francesa tinha grande internacionalidade e para ela Carlos Pôrto Carreiro traduzia primores da literatura brasileira, como vemos desta tradução de Mal Secreto, do nosso grande vate Raimundo Correia:
Mal Secreto Si la haine bave et la douleur tenace Qui nous prend, Qui détruit chaque rêve moqueur, Si tout chagrin poignant, Qui ronge plus d¢un coeur, Du fond de notre moi montait à la surface; Si, rien qu¢en enlevant le masque d¢une face, On y voyait l¢esprit qui pleure son malheur, Combien de gens dont nous envions le bonheur Nous faraient-ils plutôt pitié sous leur grimace! Et combien il en est Qui cachent dans leur sein Helas! Un ennemi secret, affreux, malsain, Comme un chancreux dérobe au jour as plaie immonde! Que de drames hagards sous des regards joyeux! Que de gens, ici-bas, ne sont peut-être heureux qu¢en ce qu¢ils font semblant de l¢être aux yeux du monde! Juin 1926, tradução de Carlos Porto Carreiro.
Aqui nossa modesta homenagem ao espírito superior que, se houvesse nascido uns decênios mais tarde, teria sido, como o filho, um cultor do Esperanto.
Carlos porto Carreiro era proprietário e diretor de um ginásio em sua cidade natal, Recife. Luís começou a lecionar no colégio do pai aos catorze anos de idade. Mais tarde a família se transferiu para o Rio de Janeiro, onde Luís fez com brilhantismo diversos cursos na Escola nacional de Engenharia, a saber: de engenheiro civil, de engenheiro mecânico e eletricista, de engenheiro industrial, tornando-se a partir de 1925, livre docente, por concurso, da cadeira de Química Industrial da mesma Escola.
Concorrendo à vaga para professor catedrático de Química Inorgânica e Análise Qualitativa, na Escola nacional de Química, saiu vencedor, sendo nomeado em 1933, e ficando em disponibilidade na cadeira que até então ocupava na Escola Nacional de Engenharia.
Posteriormente, foi empossado nas funções de Diretor da Escola nacional de Química, dando mostras de grande atividade administrativa e elevado senso de responsabilidade.
Somente há poucos anos é que o Professor porto Carreiro se aposentou, deixando naquela Escola da Universidade do Brasil uma soma inestimável de serviços prestados à coletividade estudantil.
Como professor e examinador, seja nos cursos universitários, seja nos cursos elementares ou superiores de Esperanto, era sempre muito rigoroso para com os alunos, exigindo o máximo de aproveitamento, como era rigoroso para consigo mesmo.
Profundo conhecedor das ciências físicas, químicas e matemáticas, por vezes se insurgia calorosamente contra erros que os livros de ensino deixavam escapar, chegando mesmo a escrever aos seus autores, delicadamente solicitando destes as necessárias corrigendas para as futuras edições.
Como esperantista dos mais cultos do mundo, foi durante decênios membro da lingva Kimitato e, depois da Akademio de Esperanto. Secretário geral da Liga Brasileira de Esperanto, vice presidente do Brazila Klubo Esperanto, vice chefe delegado da Universala Esperanto Asocio, seu nome tornou-se internacional, sendo incluído, com uma bibliografia, na conhecida enciclopedio de Esperanto, publicada em Budapeste, 1933 1934.
Poeta, prosador e tradutor, preparou livros realmente magistrais em e sobre Esperanto.
Traduziu para essa língua dois romances brasileiros: A Viuvinha de José de Alencar, que foi publicado, e Bugrinha de Afrânio Peixoto, inédito.
Juntamente com os Drs. A. Couto Fernandes e Carlos Domingues, elaborou o Dicionário Português Esperanto, dado a lume em 1936. Nesses últimos anos, o nosso caro confrade vinha exaustivamente trabalhando na organização de um novo e grande Dicionário Esperanto Português, sempre ampliado a cada dia. Esta obra de gigante, que ele deixou terminada está inédita. Editá-la constitui uma necessidade e um dever.
Em conjunto com o professor Ismael Gomes Braga, a este ligado por laços idealísticos profundos, refundiu totalmente, ampliando-a bastante, a obra Esperanto sem Mestre, de autoria de Francisco Valdomiro Lorenz, obra que já conta com seis edições impressas pelo Departamento Editorial da FEB.
A pureza, a fluência e a correção do seu Esperanto granjearam-lhe justos e merecidos elogios das entidades, dos órgãos de imprensa e dos homens mais representativos do mundo esperantista, comparando-se-lhe muitas vezes o estilo com o de Zamenhof. Colaborou em vários jornais e revistas esperantistas do Brasil e do estrangeiro, quer em prosa, quer em verso, sempre admirado pela sua cultura e saber.
Conhecia diversas outras línguas, entre elas o alemão, o Inglês, o francês, o castelhano, o grego e o latim. Conferiu-lhe o presidente do Instituto Brasileiro de Cultura Alemã o diploma de sócio efetivo, e a Sociedade Brasileira de Geografia recebeu-o como sócio honorário.
Apesar de sua vida de intenso trabalho e profícuas realizações, o Professor Porto Carreiro Neto ainda encontrou tempo para aprender e aprofundar em outra ciência: o xadrez, chegando a ser campeão internacional, com seu nome estampado na imprensa de além fronteiras.
É, todavia, no âmbito esperantista que sua existência se imortalizou, cobrindo-se de glórias imorredouras.
Pelo Departamento Editorial da FEB, publicou as seguintes traduções, todas enaltecidas pela crítica daqui e de além mar: La libro de la Spiritoj, La Libro de la mediumoj, em colaboração com I.G. B., Antau du mil jaro. . ., Em Ombro Kaj em Lumo, Nia Hejmo, Ago Kaj Reago. Deixou traduzido, para ser futuramente publicado pela FEB, e o será nos primeiros meses de 1965, a grandiosa obra mediúnica Paulo e Estevam, e estava traduzindo Qu¢est-ce que le Spiritisme, de Allan Kardec, quando Átropos lhe cortou o fio da existência terrena. Não chegou ao meio do volume.
Como espírita, foi membro vitalício da FEB e membro do conselho Federativo Nacional, representando Pernambuco. Médium de incorporação e psicógrafo, recebeu, como já mencionamos acima, um livro do Espírito de Jaime Braga, com o título Ciência Divina, muitos sonetos em português e poemetos em Esperanto.
Espírito de alto nível moral, de vasta cultura e muita capacidade de trabalho, não se dobrava ao cansaço, nem ao desânimo.
Sua missão como esperantista e médium se achava sempre harmoniosamente enquadrada no programa de trabalho da FEB. Foi um trabalhador de Jesus na preparação do Brasil para sua anunciada missão histórica.
Todos os nossos livros em e sobre Esperanto foram cuidadosamente revistos por ele e entregues a FEB para futuras edições.
Não dizemos que perdemos um grande trabalhador, porque ele ficará nos livros, ensinando as futuras gerações, e certamente saberá inspirar sucessores para seus ideais na superfície da terra. Depois de escrevermos isto, eis que a 23 do mês de julho, dois dias após a sua desencarnação, como que a confirmar nossas esperanças, se manifesta no Grupo Ismael, através do médium Giffoni, o nosso Porto Carreiro Neto, a transmitir-nos mensagem alentadora, da qual extraímos estas exortações:
"Estamos de pé, com os olhos voltados para a nossa tarefa. Não a interrompemos, e vocês também não.
Eu, por um pouco, dizem-me estarei ausente, mas retornarei. Enquanto isto, os amigos continuarão a obra, porque não é nossa, é do Cristo, é da Humanidade".
Congratulamo-nos com o bom servidor por haver aproveitado bem sua recente reencarnação e suplicamos do Senhor bênçãos de luz para seu Espírito, que, liberto das sombras da matéria, rapidamente se amoldou a nova situação, vindo nos afirmar, conforme suas próprias palavras, na comunicação mediúnica acima referida, que tudo continua em laboro construtivo.
Anuário Espírita - 1965
(Copiado do site Feparana) |
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Ernesto Bozzano (09-01-1862/ 24-06-1943) |
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Ernesto Bozzano (09-01-1862/ 24-06-1943)
Ernesto Bozzano (Gênova, 9 de janeiro de 1862 — 24 de junho de 1943) foi um professor de filosofia da ciência na Universidade de Turim e pesquisador espírita italiano.[1][2] Destacou-se como um contribuinte ativo na literatura italiana e francesa sobre fenômenos paranormais a partir da virada do século XIX até o início dos anos 1940.[3] Foi um dos poucos pesquisadores italianos nomeados membros honorários da Society for Psychical Research (SPR), American Society for Psychical Research (ASPR) e Institut Métapsychique International (IMI).[2] Dedicou-se primeiramente à filosofia da ciência, interessando-se sobretudo pelas ideias do inglês Herbert Spencer (1820-1903). Em 1891 começou a se ocupar da telepatia e principalmente do Espiritismo, assuntos que interessavam àquele tempo tanto estudiosos da Europa quanto da América[4]. Desde então, Bozzano dedicou-se inteiramente, em completa solidão e até sua morte, ao estudo da Metafísica e Metapsíquica. Mais que experimentador foi um pesquisador, organizador e comentador[5] dos fenômenos relativos à riquíssima literatura metapsíquica do seu tempo, na qual a relação dos visionários, dos crédulos, dos mitômanos e dos charlatães era, por larga margem, mais numerosa que a dos estudiosos sérios[4]. Bozzano publicou cinqüenta e duas obras que tratavam de cada área e de cada aspecto da metapsíquica: telepatia, psicocinese, mediunidade em geral, etc. Trocou uma densa correspondência com os maiores representantes da metapsíquica dentre os quais cientistas de valor como os físicos ingleses William Crookes e Oliver Lodge e o fisiologista francês Charles Richet. No V Congresso Espírita Internacional, que ocorreu no ano de 1934 em Barcelona, foi o presidente de honra[6]. Até sua morte, esse estudioso solitário, que tinha dedicado grande parte da sua vida à tentativa de dar ao espiritismo um caráter científico, deixou uma biblioteca de metapsíquica das mais ricas da Europa e do mundo, hoje conservada pela "Fondazione Biblioteca Bozzano - De Boni", de Bologna. A sua cidade natal - Gênova - deu o seu nome a uma rua.
(Copiado de https://pt.wikipedia.org/wiki/Ernesto_Bozzano) |
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Ernesto Bozzano. Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ernesto_Bozzano.png |
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Gêneva, cidade natal de Ernesto Bozzano. Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Genova-Castello_d%27Albertis-panorama.jpg |
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Panorama de Gênova em 1490. Imagem/fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%A9nova#/media/File:Genova1493.png |
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Capas de livros de Ernesto Bozzano. Imagens da internet. |
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Ivon Costa (15-07-1898 – 09-01-1934) |
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Ivon Costa (15-07-1898 – 09-01-1934)
Nascido na Cidade de São Manuel - MG, hoje Eugenópolis, no dia 15 de julho de 1898 e desencarnado em Porto Alegre -RS, no dia 9 de janeiro de 1934, com apenas 35 anos de idade, Ivon Costa foi um dos mais notáveis conferencistas espíritas do Brasil, contribuindo decisivamente com sua palavra abalizada e esclarecedora no sentido de dinamizar a difusão da Doutrina Espírita, o que fez com fibra inquebrantável e verdadeiro denodo.
Dotado de invejável dom de oratória e possuindo um magnetismo contagiante e uma voz privilegiada, arrebatava os auditórios com a força de sua argumentação.
Foi seminarista, entretanto, quando faltavam apenas dezenove dias para a sua ordenação sacerdotal, constatou-se que ele não possuía certidão de batismo. Em face da confusão estabelecida, Ivon desistiu de seguir a carreira eclesiástica.
Dirigiu-se, então, para o Rio de Janeiro onde estudou e se diplomou em Medicina. Era notável poliglota, falando perfeitamente o francês, o inglês, o alemão e o espanhol.
Atravessando, certa vez, uma fase difícil em sua vida, viu-se defronte de um centro espírita, onde se realizava uma reunião pública. Movido por estranho impulso adentrou a sede da instituição e ali ouviu os comentários sobre a Codificação Kardequiana. Ao retirar-se, estava transformado, pois havia encontrado a resposta a todas as suas indagações.
Tornou-se espírita e iniciou logo as tarefas de pregador. Possuindo sólida bagagem intelectual e médium que era, destacava-se com raro brilhantismo na tribuna, mantendo, além disso, diálogo com os assistentes, a fim de esclarecer melhor os argumentos empregados nas conferências.
Não existe cidade importante do Brasil - à época -, onde Ivon Costa não tenha efetuado palestras. Era um tribuno extraordinário, de largos recursos de lógica. Sabia abordar os temas com eloqüência e brilho. Aceitava, freqüentemente discussões públicas, tendo mantido algumas cuja palma não coube ao adversário.
Percorreu também países da Europa, dentre eles Portugal, Espanha, França, Holanda, Bélgica e Luxemburgo.
Certa vez, ia falar em Maceió - AL, num teatro alugado, mas, pouco antes da conferência, o teatro foi fechado por ordem do bispo local. O público, inconformado com a atitude do clero, levou-o à praça, onde a palestra foi realizada. Em represália, os sinos da igreja repicaram e alguns fanáticos lhe atiraram pedras; porém, ele suportou tudo com estoicismo e verdadeiro espírito de renúncia.
Ivon Costa residiu dois anos na Alemanha. Em seguida mudou-se para Paris, onde exerceu a função de intérprete de cinema, na Paramount. Em todos os lugares por onde passava, deixava as sementes da Doutrina dos Espíritos. Também participou do Congresso Internacional de Espiritismo, em Haia, Holanda.
Em 1932 Ivon Costa retornou definitivamente para o Brasil, passando a residir em Porto Alegre, onde clinicava gratuitamente.
Podemos afirmar que Ivon Costa foi o espírita que mais excursionou no propósito de propagar os ideais reencarnacionistas, sendo a sua tarefa muito semelhante àquela desempenhada pelo grande tribuno Vianna de Carvalho.
Da bibliografia de Ivon Costa, consta o livro "O Novo Clero", e da sua obra missionária resultou a fundação de elevado número de sociedades espíritas em todo o Brasil.
Fonte
de consulta:
Ivon Costa - 100 anos de seu nascimento
Foi o primeiro grande tribuno espírita brasileiro que viajou à Europa para divulgar o Espiritismo. Dotado de invejável dom de oratória, belíssima voz, arrebatava os auditórios pelo seu conhecimento evangélico-doutrinário.
Ivon Costa nasceu no dia 15 de julho de 1898, na então cidade de São Manuel (hoje Eugenópolis), no Estado de Minas Gerais.
De família católica, foi seminarista. Às vésperas de sua ordenação sacerdotal, faltando apenas dezenove dias, foi constatado que ele não possuía certidão de batismo e, como tal, não poderia ser ordenado. Estabeleceu-se tamanha confusão, que ele desistiu de ser padre.
Transferiu-se para o Rio de Janeiro, ingressando na Faculdade de Medicina, onde se diplomou. Inteligente e culto, falava diversos idiomas como francês, inglês, alemão e espanhol, além do latim e do português.
Sua conversão ao Espiritismo se deu de uma forma muito simples. Atravessava uma rua, quando se viu em frente a um Centro Espírita.
Diversas pessoas penetravam no auditório, pois em pouco tempo haveria uma reunião pública. Estava numa fase difícil de sua vida e, por simples curiosidade, acompanhou aquela multidão que ali comparecia para ouvir o orador falar sobre a Codificação Kardequiana. À medida que o orador falava, ele prestava a maior atenção, a ponto de sentir sensível transformação, pois aquela palestra respondia a todas as suas indagações.
A partir desse dia, converteu-se ao Espiritismo e iniciou imediatamente sua tarefa de pregador. Leu bastante, especialmente os livros de Allan Kardec e os grandes clássicos do Espiritismo. Possuidor de sólida cultura e com o cabedal prático que trouxe do seminário, tudo foi muito fácil.
Desabrochou sua mediunidade, que muito o ajudou intuitivamente. Procurava diálogo com os seus ouvintes, afim de esclarecer melhor os argumentos abordados em sua conferências.
Contraiu matrimônio, no ano de 1927, com a jovem Honorina Kauer Costa. Tiveram uma filha única, Ceo Kauer Costa, que nasceu quando o casal estava em Lisboa. Ela se formou em Direito e reside em S. Leopoldo, Rio Grande do Sul.
Ivon Costa percorreu todo o Brasil, fazendo palestras doutrinárias. Tribuno extraordinário, sabia abordar os temas com eloqüência e raro brilhantismo. Polemista, manteve grandes discussões públicas, sendo sempre o grande vencedor, especialmente dos adversários do Espiritismo.
Excursionou também por vários países da Europa, como Portugal, França, Espanha, Holanda, Bélgica, Luxemburgo e outros.
Ivon Costa residiu na Alemanha, depois em Paris, exercendo a função de intérprete do cinema americano, trabalhando para a Paramount. Em todos os lugares por onde passou deixou a semente da Doutrinas Espírita. Chegou a participar do Congresso Internacional de Espiritismo, realizado em Haia, Holanda.
Em 1932, Ivon retornou definitivamente ao Brasil, passando a residir em Porto Alegre, onde clinicava gratuitamente aos pobres. Ali desencarnou, no dia 9 de janeiro de 1934, aos 35 anos de idade. O Espiritismo muito deve a Ivon Costa, pois foi o tribuno espírita que mais excursionou, sendo sua tarefa semelhante à de Vianna de Carvalho e de Divaldo Pereira Franco.
Do jornal Mundo Espírita de Julho/1998
(Copiado de http://www.feparana.com.br/topico/?topico=651) |
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Dr. Ivon Costa Imagem copiada de http://www.mundoespirita.com.br/?attachment_id=16552 |
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HOMENAGEM
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Júlio Monteagudo Pinheiro |
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Júlio Monteagudo Pinheiro Imagem do livro Obra de Vultos, volume 2.
Biografia elaborada por Era o dia 30 de março de 1908, e na pequena cidade de Pontevedra, distante uma hora e meia de Madri, vinha ao mundo o único varão do casal Ramon Monteagudo e Isolina Pinheiro Loes. Nascia o pequeno Júlio Monteagudo Pinheiro, que com as irmãs Felícia, Amália e Generosa ( esta falecida precocemente ) compunha o rol de filhos do casal Ramon e Isolina, que, até então, vivia na bucólica e fria cidadezinha de Pontevedra. Segundo informes de familiares, Pontevedra pertence a uma região da Espanha em que se explora economicamente a bovinocultura de leite e a viticultura (cultivo de uvas). O patriarca da família, seu Ramon, tinha planos ousados e pretendia alçar vôos mais altos que a pacata vida em Pontevedra. Daí que, em 1913, contando aí o pequeno Júlio, com cinco anos de idade, o Sr. Ramon parte com a família para a distante América do Sul, mais especificamente, para o Brasil. Assim, no distante ano de 1913, chega ao Brasil, a família Monteagudo, estabelecendo-se na cidade de Nova Resende, na fazenda da Prata, onde se cultivavam café, cereais e explorava-se o gado leiteiro. Ali, o pequeno Júlio cresceu, na vida dura do campo, e, já moço, sentindo, como é natural, os impulsos do coração, apaixonou-se por uma das filhas do proprietário da fazenda em que trabalhava a família Monteagudo. Era a jovem Ana Bachion, que também se quedara aos impulsos do amor e apaixonara-se por aquele guapo, que, pelas informações de parentes e de fotos antigas, era um belo rapaz, de porte altivo, semblante limpo e a alegria estampada no rosto, sempre sorridente. Mas o destino quis que a família Monteagudo buscasse novos horizontes; e, assim, vieram ter na emergente cidade de Araçatuba, na região noroeste do estado de São Paulo. Em Araçatuba, a família estabeleceu-se no ramo da panificação, constituindo a primeira padaria de porte da cidade. Com tudo correndo a contento nos negócios, o jovem Júlio deslocou-se até Nova Resende , indo até a fazenda da Prata. Como é de se imaginar, ele para ali fora em busca do seu amor, a jovem “ Nica “, que ali ficara a esperá-lo. Assim, ali se casaram, vindo em seguida para Araçatuba. À época, contava Júlio com seus 22 anos aproximados, e, constituindo família, veio a residir na rua do Fico, nº 351, logradouro onde nasceram os filhos Argemiro, Ari (desencarnado precocemente), Geraldo (também falecido precocemente) e Ilda. Instalado no citado endereço, passou a trabalhar no ramo de secos e molhados, com armazém fixado ali mesmo.
O Espiritismo em Sua Vida Entre os anos de 1935 e 1940, Júlio Monteagudo já tinha os dois filhos, Argemiro e Ilda, e, nessa época, a pequena Ilda sofria muito, pois era portadora de insônia pertinaz. Com isso, Júlio acabou batendo às portas do Espiritismo, pois, até então, toda a família Monteagudo era católica. E foi pelas mãos de Benedita Fernandes que nosso personagem ingressou no Espiritismo, passando a freqüentar o Centro Espírita localizado, na época, na esquina da rua Bastos Cordeiro e Benedita Fernandes. Por volta do início da década de 50, Júlio Monteagudo passou a realizar trabalhos espíritas de comunicação em sua residência, embora algumas vezes mudasse de endereço. O local mais constante de realização dos trabalhos era o da rua General Glicério, nº 775, num pequeno salão de fundos. O grupo de trabalhos dedicava-se ao estudo das obras básicas do Espiritismo e aos trabalhos práticos, quando ali ocorriam fenômenos de psicofonia, psicografia, vidência, desdobramento, xenoglossia, etc... Tal grupo ganhou o nome de “Grupo Espírita Cairbar Schutel” e contava com a participação de pessoas das mais variadas camadas sociais. Entre os freqüentadores dos trabalhos, contavam-se alguns membros que aqui serão citados, porém muitos outros, por falta de maiores informações, foram omitidos. São eles: D. Matilde Dall’Oca, Sr. Francisco Gratão e D. Carolina Gratão, D. Maria Luzia Vasconcelos ( filhinha ), Sr. Gabriel, D. Conceição, D. Edwiges Luciana de Farias Cesário e Sr. Benedito Cesário, D. Rosa Talliacoli ( D. Rosinha ), D. Felícia Monteagudo Crivellini, D. Amália Monteagudo Carlini, Carlos Carlini ( Carlito ), Argemiro Monteagudo, e outros não citados e de saudosa lembrança. O grupo “Cairbar Schutel” durou cerca de 25 anos, divididos em dois períodos. O primeiro período compreendeu toda a década de 50, e os trabalhos contavam com a leitura e explanação de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, feito pelo próprio Júlio Monteagudo, e a parte prática, quando, então, os trabalhos passavam para a direção de Dona Rosa Ferreira Fernandes. Entre o final dos anos 50 e o início dos anos 60, falece Dona Rosa Ferreira Fernandes, e, por alguns meses, os trabalhos práticos também foram dirigidos pelo nosso biografado. Já no início de 1960, os trabalhos práticos passaram a ser dirigidos por Dona Edwiges L. F. Cesário até a extinção do grupo, ocorrida em 1975, já próximo ao falecimento do fundador e líder do grupo, nosso homenageado, Júlio Monteagudo. Vale lembrar que durante certo período da década de 50, Júlio Monteagudo freqüentava o Centro Espírita “Paz e Caridade”, mantenedor do “Abrigo Ismael” para idosas. Consta que, entre 1954 e 1956, Júlio Monteagudo foi presidente daquela instituição, afastando-se em seguida. Em 1974, os trabalhos do grupo “Cairbar Schutel” eram só de explanação evangélica e vibrações, pois, nesta altura, nosso querido biografado encontrava-se enfermo, e esta enfermidade acabou levando-o desta vida, quando, em 9 de janeiro de 1975, Júlio Monteagudo despediu-se do mundo dos encarnados, deixando em vida a esposa Nica e os filhos queridos, Argemiro e Ilda, e sete netos destes dois filhos e outros tantos netos oriundos das três filhas adotivas que teve.
Política Apaixonado que era pelas causas populares, na década de 50 ele era charreteiro e rapidamente tornou-se líder da categoria, bem como dos carroceiros e motoristas de táxi e frentistas de caminhão. Assim, tornou-se inevitável seu ingresso na política. Filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro, popular P.T.B., do presidente Getúlio Vargas, e elegeu-se vereador em Araçatuba, no ano de 1959, nas eleições de 4 de outubro, com a expressiva votação de 252 votos nominais. No âmbito municipal, era correligionário de Maurílio Simão da Silva e dos saudosos João Batista Botelho e Rolando Perri, entre outros. Em esferas superiores, era correligionário de Getúlio Vargas, Ivete Vargas, Eusébio da Rocha e Rodrigo Barjas Filho, sendo que alguns destes hospedavam-se em sua casa, quando vinham a Araçatuba.
Profissões Homem saudável e bem disposto, abraçou várias profissões durante sua vida, logrando sucesso em todas elas. Foi agricultor, balconista, comerciante de secos e molhados, padeiro, cafeeiro, e, na velhice, vivia da renda que algumas casas de aluguel lhe propiciavam.
Caridade Testemunhos de familiares e conhecidos dão conta que Júlio Monteagudo era homem extremamente humano e caridoso. Conta-se que nosso biografado, quando padeiro, fazia entrega de pães na Santa Casa local em um carrinho fechado que tinha uma tampa atrás para a retirada dos produtos. Como deixasse a tampa sem trava, ao retornar encontrava grande quantidade de mendigos à sua espera, na expectativa de ganharem alguns pães. Generoso como era, Júlio não titubeava; distribuía pães a todos, tendo, muitas vezes, de voltar à padaria a fim de reabastecer a carrocinha. Sabe-se também que Júlio, às vezes, era visitado por Dona Benedita Fernandes, a reclamar das dificuldades materiais de sua instituição. Convém lembrar que, neste período, ele era proprietário da casa de secos e molhados e sempre que ia ali, Dona Benedita conduzia uma charretinha, que sempre voltava carregada de víveres.
Fatos Curiosos... Os parentes e os amigos lembram que Júlio era um espanhol de alma tipicamente brasileira, com sua alegria, expansividade, franqueza e paixão. Mas, conta a amiga e companheira de doutrina, dona Edwiges: “ uma das mágoas dele era a de, por muito tempo, não haver conseguido a sua naturalização, fato que não escondia e lamentava com tristeza.” Tal tristeza contudo, um dia teve final quando, em 8 de agosto de 1958, ele recebeu o seu tão sonhado “certificado de naturalização”, coroando, assim, um sonho tão antigo, e Júlio Monteagudo era finalmente brasileiro de coração e documentação. Consta ainda que nosso biografado teve, sob sua tutela, como filhas, por algum tempo, as hoje Senhoras; Isolina Serapião Turri, Anita Gonçalves e Anita Amorim. São lembradas, ainda, suas incursões no campo da arte, quando militante da União Espírita “Paz e Caridade”, sendo que, nesta época, comandou um voluntarioso grupo de teatro amador de fundo espírita. Foi homenageado pelo Poder Público que denominou de Júlio Monteagudo Pinheiro uma das ruas do Jardim das Palmeiras.
(Copiado de: http://www.universoespirita.org.br/catalogo/literatura/textos/ISMAEL%20GOBI/obras_de_vultosII/julio_monteagudo_pinheiro.htm) |
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Vista panorámica da cidade de Pontevedra desde o alto da Caeira (no veciño concello de Poio). Foto/autor: Lameiro Copiado de: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pontevedra_desde_A_Caeira_02-01d.jpg
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Em Pontevedra, Espanha, nasceu Júlio Monteagudo Pinheiro
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Júlio Monteagudo Pinheiro Imagem do livro Obra de Vultos, volume 2. |
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Sr. Júlio e Dona Ana, à esquerda. Imagem do livro Obra de Vultos, volume 2. |
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Júlio Monteagudo Pinheiro foi Presidente da União Espírita Paz e Caridade durante muitos anos. 1942 a 1949 e 1955 a 1957 |
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Zilda Gama |
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Zilda Gama Copiado da revista Reformador- FEB- abril 1969
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Câmara Municipal de Juiz de Fora Cerca de 1907. Acervo do Museu Mariano Procópio. Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:C%C3%A2mara_Municipal_de_Juiz_de_Fora,_c._1907.jpg |
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Estação ferroviária em São João del Rei, MG. Fotos: Ismael Gobbo
Estação de São João del-Rei A estação de São João del-Rei foi inaugurada com muitas festas e a presença do Imperador Dom Pedro II em 1881. Era a ponta de linha da linha que então ligava Sítio (hoje Antônio Carlos), na Estrada de Ferro Central do Brasil, a essa cidade. O prolongamento da linha a partir de São João del-Rei foi inaugurado em 1887, ligando a cidade ao distrito de Aureliano Mourão, no município de Bom Sucesso. Leia mais: https://pt.wikipedia.org/wiki/Esta%C3%A7%C3%A3o_de_S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_del-Rei
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Praça Raul Soares, Belo Horizonte, MG. Foto Ismael Gobbo |
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Sede histórica da Feb no Rio de Janeiro (prédio ocre á esquerda), na Avenida Passos. Foto Ismael Gobbo |
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Página da revista Reformador de fevereiro de 1969 dando a informação da desencarnação de Zilda Gama ocorrida no dia 10 de janeiro de 1969. Copiado de: https://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=revreform&Pesq=janeiro%201969&pagfis=28120 |
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LEIA NA REVISTA REFORMADOR DE ABRIL DE 1969 Zilda Gama – médium exemplar ACESSE: https://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=revreform&Pesq=janeiro%201969&pagfis=28149 |
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Allan Kardec. Óleo sobre tela por Nair Camargo. Foto Ismael Gobbo. |
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Prece de Cáritas |
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Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, daí forças aqueles que passam pela provação, daí luz àqueles que procuram a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade! Deus! Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. Pai! Daí ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai. Senhor! Que a vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes. Piedade, Senhor, para aquelas que Vos não conhecem, esperança para aqueles que sofrem. Que a Vossa bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte a paz, a esperança e a fé! Deus! Um raio, uma centelha do Vosso amor pode iluminar a terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão. Um só coração, um só pensamento subirá até Vós como um grito de reconhecimento e de amor. Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh! Bondade, oh! Beleza, oh! Perfeição, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa misericórdia. Deus, daí-nos força, ajudai o nosso progresso, a fim de subirmos até Vós; daí-nos a caridade pura, a humildade; daí-nos a fé e a razão, daí-nos a simplicidade, que fará de nossas almas o espelho onde se há de refletir a Vossa Divina Imagem! Que assim seja!
Confira o Áudio: https://radioriodejaneiro.digital/oracao/prece-de-charitas-emissora-da-fraternidade/#.YaUik1Bv_IU
(Copiado de https://radioriodejaneiro.digital/oracao/prece-de-charitas-emissora-da-fraternidade/#.YaUik1Bv_IU) |
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Santa Irene de Tessalônica. Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Irene_of_Thessaloniki.jpg
Segundo consta da Revista Espírita 1862, pags. 84/85, 3ª. Edição, FEB, o espírito que assina Cárita, ou Cáritas, declinou ter sido Santa Irene. Santa Irene foi martirizada em Tessalônica à época do imperador Diocleciano, grande perseguidor dos cristãos. Também suas irmãs Ágape e Quiônia pereceram pelo mesmo motivo: não renunciaram à fé no Cristo.
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O martírio de Santa Irene. Óleo sobre tela de Carlo Francesco Nuvolone. Museu do Louvre, Paris, França. Santa Irene é relacionada a Cárita, martirizada à época do imperador Diocleciano. Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:CF_Nuvolone_Martirio_de_Santa_Irene_Louvre.jpg
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Restos arqueológicos da cidade antiga. Ao fundo o Arco de Galério. Tessalônica, Grécia. Foto Ismael Gobbo. Na cidade de Tessalônica foram martirizadas as três cristãs irmãs: Irene, Ágape e Quiônia. |
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Busto do imperador Diocleciano Imagem/fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Diocletian_Bueste.JPG |
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Jesus e o precursor |
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Livro Boa Nova, pelo espírito Humberto de Campos/Irmão X Psicografia Francisco Cândido Xavier FEB
Após a famosa apresentação de Jesus aos doutores do Templo de Jerusalém, Maria recebeu a visita de Isabel e de seu filho, em sua casinha pobre de Nazaré. Depois das saudações habituais, do desdobramento dos assuntos familiares, as duas primas entraram a falar de ambas as crianças, cujo nascimento fora antecipado por acontecimentos singulares e cercado de estranhas circunstâncias. Enquanto o patriarca José atendia às últimas necessidades diárias de sua oficina humilde, entretinham-se as duas em curiosa palestra, trocando carinhosamente as mais ternas confidências maternais. O que me espanta – dizia Isabel com caricioso sorriso – é o temperamento de João, dado às mais fundas meditações, apesar da sua pouca idade. Não raro, procuro-o inutilmente em casa, para encontrá-lo, quase sempre, entre as figueiras bravas, ou caminhando ao longo das estradas adustas, como se a pequena fronte estivesse dominada por graves pensamentos. Essas crianças, a meu ver – respondeu-lhe Maria, intensificando o brilho suave de seus olhos –, trazem para a Humanidade a luz divina de um caminho novo. Meu filho também é assim, envolvendo-me o coração numa atmosfera de incessantes cuidados. Por vezes, vou encontrá-lo a sós, junto das águas, e, de outras, em conversação profunda com os viajantes que demandam a Samaria ou as aldeias mais distantes, nas adjacências do lago. Quase sempre, surpreendo-lhe a palavra caridosa que dirige às lavadeiras, aos transeuntes, aos mendigos sofredores... Fala de sua comunhão com Deus com uma eloquência que nunca encontrei nas observações dos nossos doutores e, contentemente, ando a cismar, em relação ao seu destino. Apesar de todos os valores da crença – murmurou Isabel, convicta –, nós, as mães, temos sempre o espírito abalado por injustificáveis receios. Como se se deixasse empolgar por amorosos temores, Maria continuou: – Ainda há alguns dias, estivemos em Jerusalém, nas comemorações costumeiras, e a facilidade de argumentação com que Jesus elucidava os problemas, que lhe eram apresentados pelos orientadores do templo, nos deixou a todos receosos e perplexos. Sua ciência não pode ser deste mundo: vem de Deus, que certamente se manifesta por seus lábios amigos de pureza. Notando-lhe as respostas, Eleazar chamou a José, em particular, e o advertiu de que o menino parece haver nascido para a perdição de muitos poderosos em Israel. Com a prima a lhe escutar atentamente a palavra, Maria prosseguiu, de olhos úmidos, após ligeira pausa: – Ciente desse aviso, procurei Eleazar, a fim de interceder por Jesus, junto de suas valiosas relações com as autoridades do templo. Pensei na sua infância desprotegida e receio pelo seu futuro. Eleazar prometeu interessar-se pela sua sorte; todavia, de regresso a Nazaré, experimentei singular multiplicação dos meus temores. Conversei com José, mais detidamente, acerca do pequeno, preocupada com o seu preparo conveniente para a vida!... Entretanto, no dia que se seguiu às nossas íntimas confabulações, Jesus se aproximou de mim, pela manhã, e me interpelou: “Mãe, que queres tu de mim? Acaso não tenho testemunhado a minha comunhão com o Pai que está no Céu!” Altamente surpreendida com a sua pergunta, respondi-lhe, hesitante: Tenho cuidado por ti, meu filho! Reconheço que necessitas de um preparo melhor para a vida... Mas, como se estivesse em pleno conhecimento do que se passava em meu íntimo, ponderou ele: “Mãe, toda preparação útil e generosa no mundo é preciosa; entretanto, eu já estou com Deus. Meu Pai, porém, deseja de nós toda a exemplificação que seja boa e eu escolherei, desse modo, a escola melhor”. No mesmo dia, embora soubesse das belas promessas que os doutores do templo fizeram na sua presença a seu respeito, Jesus aproximou-se de José e lhe pediu, com humildade, o admitisse em seus trabalhos. Desde então, como se nos quisesse ensinar que a melhor escola para Deus é a do lar e a do esforço próprio – concluiu a palavra materna com singeleza —, ele aperfeiçoa as madeiras da oficina, empunha o martelo e a enxó, enchendo a casa de ânimo, com a sua doce alegria! Isabel lhe escutava atenta a narrativa, e, depois de outras pequenas considerações materiais, ambas observaram que as primeiras sombras da noite desciam na paisagem, acinzentando o céu sem nuvens. A carpintaria já estava fechada e José buscava a serenidade do interior doméstico para o repouso. As duas mães se entreolharam, inquietas, e perguntavam a si próprias para onde teriam ido as duas crianças. * Nazaré, com a sua paisagem, das mais belas de toda a Galileia, é talvez o mais formoso recanto da Palestina. Suas ruas humildes e pedregosas, suas casas pequeninas, suas lojas singulares se agrupam numa ampla concavidade em cima das montanhas, ao norte do Esdrelon. Seus horizontes são estreitos e sem interesse; contudo, os que subam um pouco além, até onde se localizam as casinholas mais elevadas, encontrarão para o olhar assombrado as mais formosas perspectivas. O céu parece alongar-se, cobrindo o conjunto maravilhoso, numa dilatação infinita. Maria e Isabel avistaram seus filhos, lado a lado, sobre uma eminência banhada pelos derradeiros raios vespertinos. De longe, afigurou-se-lhes que os cabelos de Jesus esvoaçavam ao sopro caricioso das brisas do alto. Seu pequeno indicador mostrava a João as paisagens que se multiplicavam a distância, como um grande general que desse a conhecer as minudências dos seus planos a um soldado de confiança. Ante seus olhos surgiam as montanhas de Samaria, o cume de Magedo, as eminências de Gelboé, a figura esbelta do Tabor, onde, mais tarde, ficaria inesquecível o instante da Transfiguração, o vale do rio sagrado do Cristianismo, os cumes de Safed, o golfo de Khalfa, o elevado cenário do Pereu, num soberbo conjunto de montes e vales, ao lado das águas cristalinas. Quem poderia saber qual a conversação solitária que se travara entre ambos? Distanciados no tempo, devemos presumir que fosse, na Terra, a primeira combinação entre o amor e a verdade, para a conquista do mundo. Sabemos, porém, que, na manhã imediata, em partindo o precursor na carinhosa companhia de sua mãe, perguntou Isabel a Jesus, com gracioso interesse: – Não queres vir conosco? Ao que o pequeno carpinteiro de Nazaré respondeu, profeticamente, com inflexão de profunda bondade: “João partirá primeiro”. Transcorridos alguns anos, vamos encontrar o Batista na sua gloriosa tarefa de preparação do caminho à verdade, precedendo o trabalho divino do amor, que o mundo conheceria em Jesus-Cristo. João, de fato, partiu primeiro, a fim de executar as operações iniciais para grandiosa conquista. Vestido de peles e alimentando-se de mel selvagem, esclarecendo com energia e deixando-se degolar em testemunho à Verdade, ele precedeu a lição da misericórdia e da bondade. O Mestre dos mestres quis colocar a figura franca e áspera do seu profeta no limiar de seus gloriosos ensinos e, por isso, encontramos em João Batista um dos mais belos de todos os símbolos imortais do Cristianismo. Salomé representa a futilidade do mundo, Herodes e sua mulher o convencionalismo político e o interesse particular. João era a verdade, e a verdade, na sua tarefa de aperfeiçoamento, dilacera e magoa, deixando-se levar aos sacrifícios extremos. Como a dor que precede as poderosas manifestações da luz no íntimo dos corações, ela recebe o bloco de mármore bruto e lhe trabalha as asperezas para que a obra do amor surja, em sua pureza divina. João Batista foi a voz clamante do deserto. Operário da primeira hora, é ele o símbolo rude da verdade que arranca as mais fortes raízes do mundo, para que o reino de Deus prevaleça nos corações. Exprimindo a austera disciplina que antecede a espontaneidade do amor, a luta para que se desfaçam as sombras do caminho, João é o primeiro sinal do cristão ativo, em guerra com as próprias imperfeições do seu mundo interior, a fim de estabelecer em si mesmo o santuário de sua realização com o Cristo. Foi por essa razão que dele disse Jesus: “Dos nascidos de mulher, João Batista é o maior de todos”.
Do cap. 2 do livro Boa Nova, do Espírito de Humberto de Campos, obra psicografada pelo médium Chico Xavier.
(Texto copiado do site http://www.oconsolador.com.br/ano4/156/correiomediunico.html)
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Quadro Sagrada Família com são João menino. Óleo sobre tela por Bartolomé Esteban Murillo.Imagem/fonte: |
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Jesus aos doze anos encontrado entre os doutores do templo. James Tissot Fonte da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jesus
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A cidade de Nazaré com o Monte Tabor ao fundo. Nazaré, Israel. Foto Ismael Gobbo. |
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A juventude de Jesus. Aquarela por James Tissot. Imagem/fonte:
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Vista da cidade de Nazaré, Israel, onde Jesus viveu a infância e juventude. Foto Ismael Gobbo. |
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Monte Tabor. Região da Galiléia, Israel. Foto Ismael Gobbo |
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Vista panorâmica de cima do Monte Tabor. Israel. Foto Ismael Gobbo |
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Igreja no topo do Monte Tabor em cujo interior há cenas da Transfiguração de Jesus. Israel. Foto Ismael Gobbo |
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Cena do batismo de Jesus em detalhe da porta de ingresso da Basílica da Anunciação em Nazaré, Israel. Foto Ismael Gobbo |
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Jesus abençoa João Batista no deserto. Imagem/fonte: |
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Jesus ensino ao povo à beira-mar. Guache sobre grafite em papel tecido cinza. Obra de James Tissot. Imagem/fonte: |
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Amor Infinito O futuro genro |
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(Recebido em email de Leopoldo Zanardi [[email protected]]) |
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